segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O BRASÍL VAI BEM OBRIGADO!

MINHA MENSAGEM DAS SEGUNDAS-FEIRAS

Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo
http://www.pedroangueth.blogspot.com


O BRASIL VAI BEM, OBRIGADO!

O Brasil vai bem obrigado! Os banqueiros estão felizes, os industriais também, idem para os proprietários de planos de saúde e a classe política de esquerda então, está nas nuvens.
O Brasil vai bem obrigado é um título que até certo ponto é correto. Há 16 (dezesseis) anos, o país vem acelerando o seu desenvolvimento.
Com o iluminado governo de Fernando Henrique Cardoso, tivemos oportunidade de ter o Plano Real, a Quebra de Patentes de Medicamentos, para suprimento das necessidades internas, a Privatização do que era privatizável, a Quebra da reserva de mercado da informática, alem da regularização da farra bancária através do acertado Proer.
Quando Lula assumiu e teve juízo suficiente para continuar a política então implantada, dada a continuidade necessária, o país se viu em condições de dar um salto econômico de proporções apreciáveis.
Hoje temos um parque industrial dos mais significativos do mundo, um gerenciamento macroeconômico satisfatório e perspectivas de crescimento contínuo, o que favoreceu ao Brasil, atravessar a crise econômica mundial sem quase nenhuma afetação, para não dizer nenhuma.
Além do mais, como já dizia Monteiro Lobato em 1930 – O Petróleo é Nosso – verificamos que somos autosustentados em termos de energia, claro, com muito ainda a fazer para torná-la utilizável.
Os caminhos futuros são claros, porém não tão suaves. Temos um dos maiores índices de corrupção do mundo, um MST retrógrado, o de mais primitivo que existe, um Sistema de Saúde apavorante, um sistema educacional que não educa e nem ensina, um sistema de segurança que não segura nada. Não temos nenhum plano nacional para nada. Nenhuma política pública clara que possa definir os rumos a seguir. Isso torna o gerenciamento que até então é satisfatório numa babel sem controle.
Além do fato dos partidos de esquerda sempre usarem o esquema do loteamento político dos cargos, esquecendo-se do mínimo de meritocracia, como forma de escolher os melhores técnicos e/ou entendidos para as diversas áreas de gerenciamento, não contamos com o estudo de prioridades fundamentais em termos de infraestrutura necessária para apoiar o desenvolvimento. Deixo para explicitar a questão da infraestrutura em outro artigo.
Podemos concluir, apesar de tudo do que foi dito que o Brasil, junto com a Índia e a China, caminham para fazer parte do bloco mais poderoso do planeta. Mas onde fica o Ser Humano Individual?
Será que seremos uma potência econômica com um povo desprovido do que mais básico existe, ou seja, saúde, educação, segurança e trabalho? Quanto mais um país se desenvolve, mais necessita destes quatro pilares de sustentação. E o que tem sido feito nessa área: QUASE NADA, o insuficiente, o deficitário. É provável que daqui a pouco tenhamos que importar técnicos e cientistas de todas as áreas para dar conta de nossa posição.
E aí, com que cara vamos aparecer no cenário do futuro? Todos os quatro pilares são fundamentais, no entanto, para serem eficientes necessitam de ações complexas, profundas e duradouras para que surtam efeito. Também necessitarão primordialmente que sejam organizados por pessoas que sabem o que estão fazendo, e também com a capacidade técnica comprovada. Ao Brasil não se permite mais tentativas. Um erro daqui para frente terá uma cobrança longa e desastrosa.
Quem de mim discordar, que ofereça o contraditório.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A FOBIA RACISTA

A FOBIA RACISTA

Prof. Pedro Henriques Angueth de Araújo


1. NORDESTINOS


De início quero deixar claro que sou inquestionavelmente contra qualquer tipo de discriminação, racial, sexual, acadêmica e cultural.
Portanto, não posso me conter quando se trata o Nordestino de forma pejorativa quanto venho tomando contato pela internet. O Nordestino por princípio é um povo pacífico, ordeiro e amavelmente acolhedor. Considero o povo mineiro o mais hospitaleiro deste país, mas o nordestino não fica atrás. Tanto é assim que é a área do Brasil que mais conheço e que mais visitei e visito em minhas férias é o Nordeste, e, diga-se de passagem, não sou nordestino, sou mineiro/brasiliense.
Tive uma casa de praia há alguns anos atrás na cidade de Prado, quando lá era uma pacata cidade de pescadores e nunca me esqueci disso. Tive mais amigos baianos do que de qualquer outro estado do Brasil.
Sempre admirei a cultura – musical e literária – dos autores do nordeste.
Será que os detratores do nordestino não se apercebem desta realidade ou sou um visionário incorrigível? Penso que esse tipo de detratores não conhecem o nordestino em seu “habitat”, na sua faina, na sua paciência, na sua tolerância e na sua tenacidade em lutar por sua sobrevivência tão difícil.
Será que detratores do nordestino não percebem quantos “déficits” têm esse povo: econômico, acadêmico, educacional e cultural? A que se deve culpar por serem assim? À sua falta de querer e poder ou as falhas ações do estado e dos governos que não implementaram políticas publicas suficientes para permitir a superação de seus “déficits”. Por serem um povo meigo, sociável e trabalhador, não quer dizer que têm que responder culturalmente em pé de igualdade com o de outras áreas geográficas.
Não culpemos o nordestino por algo que não lhe deram por direito. Culpemos aos políticos, que à guiza de obter favores eleitorais, mantem-nos em estado de necessidade para uma troca de favores oportunistas.
A visão de um povo é dada por aquilo que lhe dão. E como conseqüência ele não pode agir de forma diferente. Nordestinos, enquanto falarem mal de vocês eu estarei aqui para falar bem. E ponto final.


2. MONTEIRO LOBATO E CIA.


Não posso deixar também de denunciar o outro lado da fobia racista. Desta vez a do próprio estado que numa atitude vesga, estrábica e quase cega, tenta encontrar numa obra do princípio do séc XX, malefícios racistas para nossos estudantes.
Ora, passei minha infância e adolescência lendo e relendo obras em cujo cenário encontram-se personagens de todas as raças e etnias, umas elevando-as e outras detratando-as. Nunca fui influenciado pelo lado negativo em que eram representadas, porque tinha como exemplo a forma como a sociedade efetivamente tratava as outras raças e etnias.
Qual o motivo dessa diatribe de fobia racial neste momento do séc XXI? Será que perdemos o bonde da história. Sou daqueles que nunca considerou o povo brasileiro racista. Na realidade o que tenho observado ao longo de toda a minha existência é que o brasileiro é discriminador em termos de economia. Não nego alguns casos isolados, ditados pela ignorância.
Podemos nos lembrar que o Estado Brasileiro sempre foi racista. Vejamos: até alguns anos atrás a Marinha não admitia oficiais negros. Nas outras forças militares, apesar de aceitá-los eles nunca atingiam os postos superiores. No Ministério das Relações Exteriores acontecia o mesmo. E agora me digam quem fomentou esse racismo, foi o povo? Não, mais uma vez é o Estado o criador de uma falsa idéia.
Portanto, o que o Ministério da Educação tem a fazer é modificar através das atividades de sala de aula esses resquícios criados pelo próprio estado. Se as outras obras do tipo Monteiro Lobato, sofrerem esse tipo de reação racista, daqui há pouco não vamos conseguir adquirir obras monumentais da humanidade só porque serão banidas do editorial brasileiro.
Um outro exemplo disso é que se a escola funcionasse igual para todos, não teríamos hoje a tão discutida COTA nas universidades. Isso faz parecer que os de outras raças e etnias são uns coitados. Eles apenas não tiveram o beneplácito do Estado em igualdade de condições com os chamados “brancos”. Mais uma falha do Estado.
Sabemos hoje, que a capacidade de aprendizagem não está restrita a determinadas raças e etnias, como no principio do século, até cientistas brasileiros faziam crer que não poderia haver desenvolvimento abaixo do equador e que os brasileiros não brancos não tinham capacidade para o aprendizado da ciência e a imerção na cultura.
Finalizando, devemos culpar às políticas públicas de educação promulgadas por nossos governos, a falha e o lamentável equívoco a que estamos sendo obrigados a presenciar. Mas sabemos que tudo isso pode ser consertado. É só haver vontade política.

(Eu raciocinando, após uma trajetória de professor universitário por 32 (trinta e dois anos).

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ENEM POBRE ENEM

Se nós tivéssemos um verdadeiro Ministro da Educação, com toda a sua hierarquia administrativa, talvez não presenciássemos ano a ano, a vergonha que são as tentativas de aplicação das provas do Enem.
Se nós tivéssemos um verdadeiro Ministro da Educação, o ENEM poderia hoje, ser o substituto do vestibular para todas as Instituições de Ensino o País.
Mas como o Enem não foi, não é e não será, é deplorável as palavras do Presidente Lula, longe da sua bela realidade, dizer o que disse. Ora, ajam por favor, ao invés de falarem, mostrem que a Educação tem algum valor.
E parece que não continuará tendo, pois como tivemos oportunidade de ver quando dos debates políticos dos então candidatos a Presidente da República, ambos, inclusive na reta final, propugnaram por uma educação técnica, voltada exclusivamente para o trabalho, como se o trabalho fosse tudo na vida.
Falam muito dos possíveis erros da educação do passado. Está certo que ela era excessivamente elitista, mas, pelo menos, ensinava o aluno a PENSAR. E é por isso que tínhamos, Elite Política, Administrativa, Econômica e etc. Mas como diziam filósofos inteligentes de antanho, Pensar é muito perigoso. Mas, perigoso para quem? É óbvio para quem Pensar é perigoso.
Todos os governos de esquerda, em todo o mundo, procuraram em primeiro lugar dominar a cultura do país, criando-lhe as barreiras necessárias que evitassem o homem de Pensar. Pensando o homem REFLETE. REFLETINDO, descobre verdades, torna-se um crítico do erro, da maldade e da corrupção. Torna-se um incômodo para o Estado, e os Partidos Políticos que dominam a cúpula.
Ninguém aposta hoje, que esse tipo de educação vá mudar. Está muito bom para a cúpula governante. Analfabetos e analfabetos funcionais, não lêem jornal, fazem outra coisa com ele.
Pelos dados do Governo, há hoje no Brasil, 14,5 milhões de analfabetos, mas não encontramos dados dos analfabetos funcionais que calculo na casa dos 60 milhões, ou seja, 74,5 milhões de cidadãos inúteis às decisões nacionais, a quem cabem apenas viver o resultado das diretrizes emanadas do poder.
Triste educação brasileira que vai continuar deixando milhões de cidadãos sem o direito de pelo menos PENSAR, desde que é muito para o nosso povo, MESMO O LETRADO, REFLETIR.

domingo, 24 de outubro de 2010

ESTOU INDIGNADO

ESTOU INDIGNADO, VEJA O PORQUE. OLHE COMO NO BRASIL OS SERES HUMANOS SÃO DIFERENTEMENTE TRATADOS POR SUA FORMAÇÃO PROFISSIONAL
ANUNCIO DO CORREIRO BRAZILENSE DE HOJE 24.10.2010 - CADERNO CIDADES, PÁG 41:

TJDF
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal E Territórios abre concurso para juiz substituto. São 92 vagas, sendo 60 para provimento imediato, 16 para 2011 e outras 16 para 2012. Os candidatos deverão comprovar bacharelato em direito há pelo menos três anos e ter exercido atividade jurídica pelos mesmo período.Salário inicial de R$21.766,15. Inscrições até dia 29. As provas começam a ser aplicadas em 13 de fevereiro de 2011, etc.etc.

Compare agora com este outro anúncio:

FUB
A Fundação Universidad de Brasília abre vagas para secretário executivo, contador, estatístico, engenheiro, médico, químico, analista de tecnologia da informação, em mineração e de laboratório nas áreas de biologia, física e industrial. O Salário varia entre R$1800 e R$2.900. Total de vagas; 146. Inscrições até amanhã. Provas em 16 de janeiro. Etc.Etc.

Gente, até quando vamos ter que conviver com o excessivo PODER JURÍDICO neste país. Não é ele que evidentemente desenvolve o país, ou melhor, geralmente é ele que atrapalha.

Não sei como, mas temos que dar um basta a essa hipocrisia. Os seres humanos têm que ser valorizados pelo trabalho que prestam à nação.

A Universidade é a porta do desenvolvimento do país e é assim que a tratam em comparação com o júridico que presta serviços só aos grandes e poderosos!

A GENTE NÃO AGUENTA MAIS....

quarta-feira, 28 de abril de 2010

BRASIL UIM PAÍS SEM MEMÓRIA E BRASILIA UMA DESMIOLADA

BRASIL, UM PAÍS SEM MEMÓRIA E BRASÍLIA UMA DESMIOLADA

Prof. Pedro H. Angueth de Araujo *

Brasília acaba de fazer 39 anos e em suas comemorações nada se viu que fosse dedicado àqueles que a construíram. Não falo da classe dominante que dela participou residindo no Rio de Janeiro ou São Paulo. Não falo de Juscelino Kubitscheck, nem dos idealizadores Lucio Costa e Oscar Neymaier. Nem dos funcionários públicos para aqui transferidos a contra-gosto e seus contracheques recheados de cruzeiros tranquilizadores, dobradinha , moradia definitiva e outras mordomias.
Não falo também daqueles que vieram bem depois de construída a Nova Capital, que aqui enriqueceram ou se fizeram de alguma forma famosos e que hoje posam na mídia de pioneiros.
Falo dos verdadeiros pioneiros. Aqueles que para aqui vieram entre 1957 e 1961, sem nenhuma vantagem especial, que não vender o seu trabalho e o seu entusiasmo para a construção da metrópole do futuro. Daqueles que por amarem esta cidade, aqui ficaram depois dela construída e ainda por cima na luta contínua em busca de sua radicação definitiva por sua própria conta.
Falo daqueles que ficaram anos sem poder prosseguir seus estudos porque aqui ainda não havia colégios e universidades. Falo daqueles que viveram no ermo do cerrado sem jornal, lazer e sem nenhum conforto. Falo daqueles que de certa forma perderam o contato com o resto do mundo por longo tempo para construir esta cidade, já que naquela época só havia o rádio, o que pouca coisa adiantava. Para se ter uma idéia, uma viagem daqui a Goiânia, levava de 12 a 16 horas. Em época de chuva mais que isso. Viajar a outros locais, só de avião. Nem quase todos podiam. E a maioria dos casados deixaram suas famílias nas cidades de origem por completa falta de estrutura aqui para trazê-los.
Esse é o verdadeiro pioneiro, até jocosamente apelidado de "piotário", porque se chegou à conclusão de que fora o único que não levou vantagem em nada. Construiu a Capital para os outros.
E quem se lembra deles hoje, quando se comemora 39 anos da existência de Brasília? Infelizmente ninguém. Essa atitude da mídia só nos faz lembrar que o Brasil de fato é um país sem memória e que Brasília por isso é também uma desmiolada.
Mas não é só a mídia que é culpada. Quantos Pioneiros são considerados Cidadãos pela Câmara Legislativa do Distrito Federal? Não que eu julgue essa Instituição Pública legítima a fazê-lo, já que seus integrantes via de regra não são aqui nascidos, mas como um reconhecimento de relevantes serviços prestados à cidade por essa classe de seus habitantes. Volto a perguntar, quantos?
Assim como os índios autóctones da "Terra Brasilis" foram substituídos historicamente pelos Portugueses ávidos de riqueza que aqui aportaram, os Pioneiros de Brasília estão sendo substituídos pelos Políticos e Empresários que só levaram vantagem quando para aqui vieram.
É uma pena.
*Professor Universitário - Mestre em Educação.

HONESTIDADE

HONESTIDADE


Prof. Pedro H. A. de Araujo

A honestidade é o produto do fluxo e refluxo da nossa atividade consciente face a um problema de ética humana e objetiva, dentro dos padrões hodiernamente observados pelo homem comum.
Que poderíamos dizer como cidadãos a respeito do mesmo vocábulo? Em primeiro lugar poderíamos não dar tanto valor à objetividade da questão; antes de tudo criaríamos em nosso subconsciente um padrão de conduta em que a honestidade seria enquadrada em princípios relevantes, onde o jogo de causas e efeitos pautaria as ações primeiras que envolvem o uso comum da razão, face à problemática que a ação para o termo exige.
Filosoficamente, a honestidade seria considerada como uma atitude própria do indivíduo conscientemente bem formado nas questões profundas da vida, objetivando um padrão interior de paz e serenidade perante a sua própria censura moral, ou seja, a faixa de separação entre o inconsciente e o consciente.
Para melhor exemplificação, devemos observar que consoante os estudos de Freud, o inconsciente segrega as suas atividades instintivas que nem sempre podem vir à tona, sendo reprimidas pela nossa censura moral ou faixa de afloramento. Assim, depois de interiorizado um determinado tipo de comportamento moral ou ético, aceito pelo próprio indivíduo e de acordo com os ditames da sociedade, ele será facilmente acionado quando for necessário e o será automaticamente.
Nos casos em que esse comportamento moral ou ético não condiz com sua acepção universal, é comum os protagonistas deixarem rastros ou pistas para que no futuro sejam descobertos.
Religiosamente, poderíamos pautar essas atitudes dentro dos códigos ou dogmas regentes do comportamento conveniente para as diversas denominações religiosas, visando frear as atitudes humanas consideradas inadequadas. Nesse caso, quando o homem não se adequa a esse sistema, dele se retira, ou aparecem os diversos tipos de culpas.
A Ética e a Moral houveram por bem, discriminar as condutas mais convenientes ao bom funcionamento das relações dos indivíduos entre si, dentro de padrões considerados aceitos. Procuram dar ao homem condições de hábito que pode elevá-lo a uma categoria melhor, na medida que vai sentindo o sabor da verdade primordial e criando para seu próprio uso, uma pequena filosofia ética.
Para os buscadores da verdade, a honestidade exterior, objetiva, é apenas o reflexo da ação interior, daquilo que está armazenado no mais profundo do ser humano. Quando ali arquivados e catalogados, formam parte da própria personalidade, sem que sofram qualquer influência do tempo e do estado das coisas.
Portanto, quando vemos hoje tantas infrações éticas e morais e procuramos saber por que elas estão acontecendo tão amiudadamente, culpamos tudo, menos o período de formação desses indivíduos, cuja máscara cai a cada vez que são investigados. Por trás de suas vidas, poder-se-á ver claramente que suas formações filosóficas e educacionais gerais não tiveram o cuidado necessário de preservá-los de comportamentos dessa natureza. Agem como se o normal fosse ser aético e amoral. Pensam estarem certos no que fazem sem atentar para as conseqüências que provocam.
Honestidade é algo que vem de dentro, mas tem que ser colocado lá.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

AS MUDANÇAS LIGADAS AO TRABALHO ANALÍTICO

AS MUDANÇAS LIGADAS AO TRABALHO ANALÍTICO


Trecho reproduzido do Livro: A Prática Analítica de Thierry Bokanowski
Imago Editora, 2002

O trabalho analítico dá oportunidade ao indivíduo de alcançar um certo número de mudanças que lhe permitem atingir novas modalidades de funcionamento psíquico. Permitindo que ele tenha acesso à sua própria posição subjetiva, tais mudanças dirão essencialmente respeito à modificação de suas relações consigo próprio. Esse movimento de subjetivação, que o ajudará a tomar consciência e a ultrapassar determinados automatismos de repetição em ação desde a sua infância, modificará sensivelmente o destino de seus afetos e de suas representações, ligados aos desejos que dizem respeito simultaneamente aos seus objetos primários e aos de sua história infantil. Isso lhe permitirá flexibilizar suas relações com seu superego, seu ideal de ego, bem como com seu ego ideal, em termos das exigências destes.

Isso o levará a aceitar a diferença entre os sexos e gerações, isto é, a reconhecer os limites do sexo que possui, e a existência do sexo que ele não possui. Também será conduzido a aceitar a irreversibilidade do tempo que passa, a realidade da morte, a ferida narcísica ligada à existência do inconsciente, assim como a humilhação que o aspecto indomável do id provoca... Isso significa aceitar a castração em todas as suas formas, inclusive as que se expressam ou se traduzem pela separação, e, assim, adquirir maior liberdade em sua vida pulsional, e mesmo erótica, maior capacidade de amar, e maiores aberturas para a sublimação. Será preciso para tanto suportar seus movimentos depressivos que o ajudarão a fazer lutos passados e futuros.

Assim, o que é esperado do trabalho analítico é que um dia ele chegue ao ponto em que a função analisante do analista possa ser introjetada pelo indivíduo em análise, e que o término da análise seja marcado por uma capacidade de poder ter certa distância com relação a sim próprio, em outras palavras, poder perceber suficientemente seus movimentos inconscientes. Como escreveu René Diatkine, “tomar distância, adquirir insight, liberar suficiente humor em relação a si próprio e ternura com respeito ao próximo para permitir uma existência mais agradável para si e para os outros”


Diatkine, R. (1988), Destins du transfer, Revue française de Psychnalyse, 52, 4/1988, pp.803-813