segunda-feira, 16 de maio de 2011

MENSAGEM DAS 2ªAS FEIRAS

COMENTÁRIOS IV


Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo
http://www.pedroangueth.blogspot.com



Considera freqüentemente a rapidez com a qual as coisas e os eventos passam e desaparecem. A substância é como um rio em perpétuo movimento, suas ações são sempre cambiantes, suas causas mudam incessantemente e não há quase nada de estável, enquanto que está bem próximo o abismo do futuro e do passado, no qual todas as coisas se perdem. Desta forma, como não seria louco aquele que se envaidece ou se lamenta, como se o tempo de sua emoção significasse grande coisa?
Marco Aurélio


Hoje em dia é muito normal comentários do tipo: como o tempo está passando depressa! Ontem era segunda feira e hoje já é sexta-feira. Puxa já estamos em maio quando eu não vi nem abril passar! Coisas acontecem, eventos se formam e se vão com instantâneos movimentos. De repente recebemos os efeitos de eventos desconhecidos.
O rio da vida corre sem que nos apercebamos do que ele carrega e no fundo nós estamos indo junto com suas águas. As ações de nossas vidas mudam incessantemente, e no pior dos casos: inconscientemente. Inconscientemente estamos provocando causas que podem mudar completamente nossas vidas sem que seu processo seja de nosso conhecimento consciente.
O homem está inconsciente o tempo todo das causas que o levam de lá para cá. Está inconsciente o tempo todo de sua própria existência, pois o tempo todo está voltado para fora de si mesmo, no atendimento dos eventos cotidianos do mundo exterior.
Se começarmos a fazer um esforço de percepção consciente dos acontecimentos que nos envolvem no dia a dia, vamos perceber que nada em nossa vida é estável. Assim como nós, nada ao nosso redor e no próprio universo é permanente. Tudo goza de uma profunda instabilidade e nós não temos condições de avaliar antecipadamente as formas com as quais o futuro nos presenteará.
Com o tempo, o passado perde todo o seu colorido, ficando via de regra, somente as idéias de como poderia ter sido, se tivéssemos agido de forma diferente, o que pode nos trazer um grande complexo de culpa. Por outro lado, estamos sempre temerosos daquilo que o futuro pode nos trazer.
Por tudo isso, devemos meditar sobre o que são hoje os nossos desejos, nossos apegos e nossa forma de ser. O mínimo de nossos sentimentos, emoções, pensamentos e ações são capazes de provocar uma verdadeira avalanche de situações em nosso futuro.
Com o tempo (e como a idade) percebemos melhor o que somos pelo que fomos. Vaidade, orgulho, ambição são emoções que realmente movem o mundo. Mas embora saibamos o que são essas emoções, não podemos perceber antecipadamente para onde elas estão nos levando.
Vale realmente a pena lutar com e por elas ao longo de nossa existência? Quantos aborrecimentos podem nos trazer uma vaidade exuberante, um orgulho desmedido e uma ambição desenfreada!
Para termos uma vida melhor, será necessário percebermos que somos seres causativos. O universo é um imenso caldo de energia. Nossos pensamentos são da mesma forma um grande fluxo de energia que, a todo instante está interagindo com as desconhecidas forças do universo.
Se esses dois campos distintos de ação da energia universal se antagonizam pela sua forma de expressão, a energia de menor impacto dos pensamentos humanos será atingida de uma maneira desconhecida pelo homem.
Até que aprendamos verdadeiramente a forma correta de entrar em ressonância com as energias universais, o melhor que temos a fazer é seguir o exemplo fornecido pelas grandes idéias que nos foram dadas pelos grandes seres que passaram por nosso planeta em tempos passados, pois hoje, não temos nenhum exemplo vivo que pode ser plenamente seguido.
Seja Buda, Cristo, Krisna, Confúcio, Lao Tze e outros mais do mesmo calibre, nos deram ao longo da história, formas harmoniosas de viver que teimamos em não respeitar.
Uma visita semanal a um templo budista, uma igreja cristã ou uma leitura aleatória de algum dito desses seres não será suficiente para nos esclarecer na verdadeira conduta que devemos ter diante da vida, para que possamos estabelecer o que eu chamo de ressonância entre o homem e as leis universais.
Portanto, aprendamos a meditar e avaliar o que estamos pensando, ideando e fazendo durante todos os minutos de nossa vida, para que possamos ao nos reconectar com a realidade maior, verificar o quanto nossa vida muda para melhor.
Tanto os pensamentos, quanto as idéias, as palavras e as ações, depois de liberadas, formam uma cadeia de eventos que não podem mais deixar de se expressar. Os resultados sejam eles positivos ou negativos serão por nós recolhidos na forma que foram projetados e não mais podem ser mudados.
Pesares, doenças e bênçãos advirão em função de como estamos agindo, em todos os sentidos.
Aprendamos, pois, a viver harmoniosamente em nosso planeta e no plano de nossas vidas.

(Eu pensando em como homem é ignorante de si mesmo e das leis que o regem num plano maior)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

MENSAGEM DAS 2ªAS FEIRAS

COMENTÁRIOS III


Todas as coisas se encadeiam entre si e sua conexão é sagrada, e nenhuma coisa é estranha à outra, pois todas foram ordenadas juntas e contribuem junto para a bela ordenação do mundo. Com efeito, uno é o mundo que compõem todas as coisas; uno o Deus que está em toda parte; uma a substância; una a lei; una a razão comum a todos os seres racionais; una a verdade; pois também é a perfeição dos seres da mesma família e partícipes da mesma razão.
Marco Aurélio

Para efeito de compreensão de todo o texto acima apresentado, vou seccioná-lo com o fim de facilitar minha digressão e o entendimento dos leitores.
1. Todas as coisas se encadeiam entre si e sua conexão é sagrada, e nenhuma coisa é estranha à outra.
Desde o momento que modernamente os físicos quânticos entenderam que o universo é uma massa homogênea de energia e somente de energia são feitas todas as coisas no universo, podemos dizer que há uma conexão entre todas elas e que sua conexão é sagrada, pois, tudo é produzido por uma única mente: A Mente Divina. Por suposto nenhuma coisa pode ser estranha à outra. Daí que no entendimento desses físicos quânticos é de que tudo é uno e composto da mesma energia, cujas manifestações são diferentes, tendo em vista apenas à sua forma de manifestação.
Semelhante idéia também é encontrada em todos os textos sagrados das antigas religiões da Índia, China e Egito. Desde os Vedas, os Upanishads, Baghavad Gita, literaturas do Taoísmo de Lao Tse a Confúcio e a maravilhosa ciência encontrada no Egito Antigo, sem falar na filosofia Grega antiga, todos atestam a mesma plataforma de conhecimentos.
2. pois todas foram ordenadas juntas e contribuem junto para a bela ordenação do mundo.
De acordo com as antiqüíssimas filosofias dos povos antigos, todas as leis de que depende o universo (ou multiverso como querem as teorias mais modernas), para o seu funcionamento e expressão foram ordenadas num mesmo momento. Portanto, podemos ver que até as exceções (se elas existem) foram concebidas em seu início. E isto constitui para nós a bela ordenação deste mundo para o qual não temos explicação.
3. Com efeito, uno é o mundo que compõem todas as coisas;
Ainda não apareceu ninguém que pudesse cogitar de qualquer divisão ou secção neste mundo que é composto de todas as coisas. Hoje, através de cálculos bem aproximados, sabe a ciência que nosso Universo teria surgido a apenas 13 bilhões e 400 milhões de anos. Fantástica cifra que não cabe geralmente em nossas cabeças. Nessa escala de bilhões de anos, o aparecimento da vida como a entendemos e o homem em conseqüência, só tomam forma nos últimos minutos dessa grande aventura. Tudo segue numa linha do tempo que não permite divisões.
4. uno o Deus que está em toda parte;
Com toda a dimensão que se possa calcular que o nosso universo tenha e o tempo de sua duração, nenhum desvairado seria capaz de contradizer de que ele só poderia ser criado por uma única energia, ou seja. a energia denominada Deus. Para as mais avançadas teorias sobre a criação do universo a partir do “big bang”, há apenas um feixe de energias pairando na manifestação universal.


5. una a substância
Ora, segundo as mais variadas e profundas meditações sobre a existência de uma substância que esteja por trás da manifestação de qualquer objeto, desde a filosofia grega antiga, até nossos dias, podemos imaginar a existência de uma única energia que está subjacente a qualquer tipo de manifestação. Os físicos atômicos modernos, quando empreenderam múltiplas subdivisões no átomo, chegaram num ponto onde não mais existia qualquer vestígio de matéria. Foi aí, neste mesmo ponto, que alguns começaram a cogitar na existência de algo muito poderoso por trás da manifestação material, chegando mesmo alguns a suspeitar da existência de uma inteligência transcendental responsável pelos fenômenos da existência.
6. una a lei
Daí se pode entrever que sendo a lei una, ela estará a serviço de todo o universo enquanto ele estiver manifestado, bem como de uma forma até compreensível, além de sua própria manifestação. Se houvesse, por acaso, uma quebra nessa lei, o mesmo deixaria de ser o que é para se constituir num jogo de alguma mente muito poderosa mas de todo irresponsável. Einstein mesmo expressou que Deus não joga dados com o universo. Sábias palavras. Deus não está fazendo uma experiência com o universo, está tão somente proporcionando-lhe uma coerente manifestação.
Por outro lado, a todo o momento, é o homem que está sempre tentando quebrar essa lei através de exdrúxulas organizações religiosas que ao dominarem a mente humana numa seqüência de superstições, e para manter o seu perpétuo e desejoso poder, cristalizaram numa necessidade de se fazerem intermediárias entre o homem e Deus, a possibilidade do comércio do tipo: concede-me tal graça que eu da minha parte farei tais obras ou penitências. Vejam no que deu a venda das indulgências no século XVI, com a divisão do cristianismo até então monolítico.
7. una a razão comum a todos os seres racionais
Todos os seres racionais possuem uma razão que é comum a todos. Portanto, a irracionalidade tão propagada hoje em dia para alguns tipos de atitude, reflete apenas um pensamento distorcido, capaz de formular idéias falsas e inconclusivas (veja nosso artigo anterior). Se serenamente apelarmos para o nosso poder de usar a razão em todas as situações que vivemos e enfrentamos, seremos capazes de encontrar uma solução ou uma via a seguir. Somente aqueles cuja mente instalada em cérebros defeituosos, não são capazes de usar o seu poder de raciocínio.
8. una a verdade
No universo em que vivemos só existe uma verdade. Se nós não conseguimos ainda atingi-la é porque vivemos no emaranhado de nossas verdades relativas, onde cada um quer de qualquer maneira ser dono da verdade. A verdade é uma e só se alcança através da sabedoria, que é apanágio de seres especiais que viveram (ou vivem) uma vida dedicada à sua descoberta.
9. pois também é a perfeição dos seres da mesma família e partícipes da mesma razão.
Portanto, podemos inferir que todos nós membros da família humana, somos seres perfeitos para usar a mesma razão de que somos portadores. Os animais possuem o instinto que lhes dita os comportamentos a seguir. Por isso neles notamos um padrão que pode ser previsto. No caso dos seres humanos, o uso da razão é distribuído de forma equânime, ficando, entretanto, cada um na responsabilidade do uso mais adequado desse equipamento tão necessário em todos os tempos e hoje mais ainda, quando o mundo se tornou tão multifacetado.
(Eu pensando em como o homem moderno é irracional)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

MENSAGEM DAS 2ªAS FEIRAS

COMENTÁRIOS II




Sua inteligência será tal qual suas idéias habituais, pois a alma se impregna de tais idéias.
Marco Aurélio

O mundo familiar, escolar, de trabalho, religioso e societário, nos enche de idéias. Além dessas nos vêm aquelas que decorrem de nossos “hobbies” e lazeres, jornais, revistas, televisão, etc e isso constitui e forma nossos pensamentos diários.
Com o tempo formamos hábitos que são resultados à partir de pensamentos que formam blocos de idéias que todo esse ambiente nos proporciona. E dessas idéias e hábitos, formamos finalmente nosso caráter.
Os pensamentos e emoções expressam nossas atitudes básicas para com o mundo – como nos relacionamos com ele – e formam um ambiente, um reino de fantasia e que vivemos.
Esse bloco monolítico que forma nosso caráter, quando atuando como tal é um processo que é transferido ao nosso inconsciente e daí comanda o fluxo de nossas ações de forma automática.
Não pensamos para dar respostas porque elas já estão prontas em nossa mente decorrente do hábito. As palavras ou os conceitos apenas apontam para aspectos parciais da experiência. Reagimos às idéias alheias, à partir do nosso estoque de idéias, sem, na maioria das vezes examinar o que o outro realmente está querendo nos dizer.
Tudo que lemos, inclusive livros, são por nós interpretados segundo nossas idéias. Como é difícil mudar de idéia! Elas estão tão impregnadas em nós, fazem tanto parte de nós, que se abdicarmos de alguma ou substituí-la por outra, parece que perdemos uma parte de nós mesmos.
Todas as pessoas que cultuam alguma religião, por exemplo, têm uma idéia para onde vão depois da morte. No entanto, ninguém tem certeza. Uns são mais radicais, outros menos, mas e daí?
Todos nós, via de regra, pensamos no futuro como um fluxo de idéias que decorre, paradoxalmente não do presente, mas sim do passado. Se nós examinarmos bem, o passado é sempre um fluxo de idéias, que aliás, como Psicanalista bem sabemos, nem tanto reflete o vivido, mas muitas vezes o que se desejou viver.
Estamos sempre pensando em como seria nosso presente, se em algum momento de nosso passado tivéssemos agido diferente, escolhido uma carreira diferente, escolhido o(a) parceiro(a) diferente, etc. Isso é o normal para todas as pessoas que são escravas de seus hábitos. Não há como fugir a esse tipo de atitude. Poucas são as pessoas que pensam no agora e agem conforme estão efetivamente vivendo.
Vemos, automaticamente, a nossa versão do objeto em lugar de vê-lo realmente como é. Ficamos, então, satisfeitos porque fabricamos nossa própria versão da coisa dentro de nós mesmos. Em seguida tecemos comentários, pegamos ou rejeitamos, mas não há nisso nenhuma comunicação verdadeira.
Algumas pessoas que são do meu círculo ou entram em contato comigo às vezes me perguntam: é possível mudar as idéias, no sentido de melhorar seus conteúdos e formar novos hábitos de pensamento? Eu respondo: claro que sim e não é muito difícil, mas certamente é muito trabalhoso, mas como tudo que é trabalhoso não é bem-vindo, muitas dessas pessoas não querem nem saber como. Mas é muito parecido com uma conversão religiosa. A única diferença é que a conversão religiosa se dá muitas vezes pelo ímpeto. Na conversão das idéias o trabalho é constante, exige paciência, disciplina, muita observação enfrentamento do fracasso e principalmente formação de uma nova rede de pensamentos.
Ninguém pode querer impor idéias novas na cabeça dos outros, como os parágrafos anteriores pode parecer ser o caminho.
O refinamento das idéias pode ser começado por uma leve imersão na filosofia. A filosofia é a própria discussão das idéias. A discussão das idéias filosóficas nos levam a formular novos pensamentos a respeito das coisas e dos eventos.
Depois devemos nos livrar das idéias negativas, como por exemplo, as trágicas notícias diárias que nos vem de todas as mídias. Evitar, tanto quanto possível, saber de notícias negativas ao longo do dia, ajuda a limpar nossa mente.
Em seguida, a leitura diária de textos positivos, tais como: livros texto de algumas organizações religiosas, sejam elas do ocidente ou do oriente, nos ajuda a adquirir uma visão panorâmica do pensamento mundial em termos de espiritualidade.
Formular um código de conduta diário, como por exemplo, a leitura do Livro Meditações de Marco Aurélio. Há outros autores que podem muito bem ser utilizados. A recomendação deste é pelo motivo mais prosaico, as recomendações que ele faz são para ele mesmo observar. É bom lembrar que Marco Aurélio foi Imperador Romano do Iº século de nossa era e pertencia a Escola Filosófica do Estoicismo.
Muitas pessoas pertencentes ao cristianismo em todas as suas versões, usam abrir a Bíblia pela manhã, em qualquer página e ler um trecho. Essa é uma atitude também inspiradora.
Purificar a mente é uma técnica que utiliza várias formas. No entanto, é necessário fazê-lo se quisermos ter pensamentos positivos e construtivos todos os dias, para assim edificar idéias que constituirão nossa inteligência. Essa inteligência é subconsciente, portanto, guarda tudo que nós mandamos para lá e nos devolve quando precisamos. Depois de algum tempo de treinamento, crie sua própria técnica.
Toda a nossa mente de uso diário funciona mais ou menos como um computador. Nosso HD possui somente aquilo que gravamos.

(Eu pensando em como mentes limpas construiriam uma sociedade melhor)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

MENSAGEM DAS 2ªAS FEIRAS

COMENTÁRIOS I

Pequena Introdução

Hoje inicio uma série de comentários que estão baseados nos escritos de Marco Aurélio, Imperador Romano do I século, que pertencendo a Escola de Filósofos Estóicos, e tendo que permanecer quase todo o tempo de seu reinado dirigindo os seus exércitos na expulsão dos bárbaros que tentaram todo o tempo invadir seus domínios, em seus momentos de descanso escreveu várias mensagens que curiosamente eram dirigidas a sí mesmo, como forma de normatizar o seu comportamento, consoante a filosofia que seguia. Daí surgirem as Meditações, livro que reúne os seus pensamentos.
Os comentários que elaborei estão calcados em todo o arcabouço de meu conhecimento reunido em 50 (cinqüenta) anos de estudos, de todas as áreas em que consegui penetrar e entender.
Os ditos de Marco Aurélio, sempre serão colocados à direita, iniciando o artigo, em itálico.


Quando a força das circunstâncias te deixa desamparado, recobra depressa o autocontrole e não te mantenhas fora de ordem mais que o necessário. O costume de estar em harmonia aumentará tua adesão a ela.

Marco Aurélio

Estas palavras englobam tudo aquilo a que nós podemos nos referenciar, tendo como base a Filosofia, a Psicanálise e a Psicologia. Quantas vezes por dia, se nos observarmos bem, as circunstâncias nos deixam desamparados, e ainda por cima por poucas coisas que acontecem à nossa volta.
Se observarmos bem, verificamos que o dito não diz para não ficarmos desamparados, até porque, isso, no nosso dia a dia é totalmente impossível. Haverá momentos em que num átimo de segundo, já nos vemos engolfados pela, raiva, pelo desalento e pelo desamparo que tais momentos nos proporcionam.
Se eu me referenciar à Filosofia Oriental, vou verificar que os mestres de lá nos recomendam deixar que a raiva venha, que o ódio venha, que a mágoa venha. Que estando passando por esses estados, cuide eu de observá-los, tão de perto quanto possível, até que eles se desvaneçam e se tornem imperceptíveis, e assim voltamos ao estado de equilíbrio. Só que com esses exercícios eu aprendo a ver o mal que esses estados me fazem e pouco a pouco vou evitando passar por eles e com o tempo a vencê-los, mesmo antes que apareçam.
Sabemos depois de Freud, que quem realmente nos governa é o Inconsciente, a partir do que nele foi originalmente depositado (antes de nascermos), e depois ao longo de toda a nossa existência, por nós mesmos. Esse poderoso agente pode, em circunstâncias várias ser nosso amigo ou inimigo. É bom que todos saibam que, todos os nossos pensamentos, palavras e obras, ficam gravados em nosso inconsciente, como se fosse o HD de um computador. Daí que muitas de nossas ações, na prática, são automatizadas.
Coincidentemente, Jesus, o Cristo, em uma de suas citações bíblicas (não referencio agora porque não me lembro) diz: “Vós sereis julgados por vossos pensamentos, palavras e obras”. Ora fica claro a partir de então que o exercício de nosso controle cotidiano com referência às nossas emoções, é de suma importância tanto para nossa saúde psíquica, quanto física.
Na medida em que encaminho ao Inconsciente uma forma de ser, ele, obedientemente grava para futuras referências. Quando elas se tornam freqüentes ou de longa duração são automatizadas.
Na Escola Estóica de Marco Aurélio, aprendia-se a respeitar o destino, a dor e o prazer. Aprendia-se a respeitar o destino porque revoltar-se contra ele provoca todo tipo de dor e desamparo. Para os Estóicos, o destino é soberano e temos que sorvê-lo, gota a gota.
No nosso dia a dia, também enfrentamos condições que não podemos mudar. E agora, que fazer? Lutar com elas ou deixá-las passar? O certo é que elas nos deixam desalentados por não possuirmos conhecimentos suficientes para lidar com elas. Vem em seguida o desalento, depois a depressão e depois, conforme o caso, muita tristeza e sensação de fracasso.
Não abriguemos tais desalentos, recobremos nossa serenidade rapidamente, quanto possível, na certeza de que o destino nos prova a cada instante. Curiosamente, na medida em que volvemos à harmonia perdida, condicionamos nosso inconsciente a não perder tempo com os desajustes da vida, proporcionando assim, um maior tempo harmoniosamente vivido e vamos notar também que, na medida em que mais e mais tempo vivemos em harmonia, menos desalentos acontecem e curiosamente, que, os problemas que ativaram nossos desajustes são resolvidos como por encanto, sem nossa ação consciente.
Portanto, a harmonia cotidiana em todos os minutos de nossa vida nos garante saúde e vitalidade.

(Eu pensando em que viver também é uma ciência)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MENSAGEM DAS 2ªAS FEIRAS

RUMINAÇÕES


Sou um ruminante. As pessoas que me conhecem e estão mais perto de mim sabem que sou um ruminante. Como amigo do saber (tradução de filósofo), não posso aceitar pacificamente as coisas erradas que cotidianamente nos acontece ver nas ações humanas (principalmente dos políticos e governantes), muito embora de qualquer forma me sejam postas guela abaixo, sem que eu possa individualmente reagir, mas calar nunca.
Volto nessa mensagem ao fato recentemente acontecido da votação da Lei da Ficha Limpa (coisa de que o brasileiro já se esqueceu) para fazer uma análise inquietante e que julgo de importância crucial para o futuro deste país.
Não sou e jamais seria contra essa lei se ela atendesse à época ao que determina a Constituição Federal. Mas ela a feriu mesmo antes de ser promulgada, quando votada por um Congresso inepto e que não sabe, via de regra, o que está fazendo, pois cada um de seus integrantes só está lá para trabalhar para seus próprios interesses. Errou o iluminado governante da nação à época ao promulgá-la, o que gerou toda uma discussão que só teve o mérito de nos mostrar como alguns de nossos juristas detentores de altos cargos da Magistratura são também ineptos e não deveriam estar onde estão.
Se a constituição é a lei maior, jamais poderia haver qualquer discussão quanto ao seu cumprimento. Deveria ser pacífico o entendimento de que tal lei não poderia vigorar à força, como na realidade queriam os mais interessados.
Já è época, o Ministro do STF Gilmar Mendes assim se referia, entre outros ditos: “O ministro Gilmar Mendes foi o autor do voto mais crítico à aplicação da Lei da Ficha Limpa este ano. Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro disse que a Lei é "casuística" e que foi aprovada para "vencer eleição no tapetão".
Muito bem! Ainda existia alguém enxergando as coisas da forma correta. Mas o que é que na verdade aconteceu? Não tínhamos um ministro para desempate e a lei venceu temporariamente com prejuízo inequívo para alguns candidatos já em disputa, com o favorecimento a outros que de larga experiência sabíamos que não seriam vencedores, e foram.
Agora, com a nomeação do 11º Ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux,
finalmente tivemos o desfecho que era necessário ter tido em 2010.
Bom, mas porque estou falando isso. Vejamos:
Como bons cidadãos desta pátria, devemos saber que o Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição. Mas desta vez ele não foi e isso é muito grave. Agora, ruminando, o que na verdade aconteceu.
Ruminando. Ou os Ministros que votaram a favor da vigência da lei em desrespeito à Constituição e, nesse caso foram incompetentes para estarem ali como figuras respeitáveis na decisão de algo tão importante, ou serviram de escudo escuso de uma ação política, como pode bem refletir as palavras do Ministro Gilberto Mendes.
Ora, é voz corrente por aí que vivemos numa democracia, mas esse é um ato muito comum nas ditaduras e foi como ditadura que o governo agiu. Na realidade os políticos do PT (governo incluso) nunca se disseram democratas mas, sim socialistas, contrariando por suposto uma Cláusula Pétrea da Constituição que reza que o regime do país não poderá mudar constitucionalmente.
Ora, se um povo despreparado como o nosso aplaudiu a vigência da Lei da Ficha Limpa nas eleições passadas, é porque ele é na sua grande maioria, um analfabeto jurídico, quando não analfabeto, na crueza do termo, ou analfabeto funcional. Mas sua alegria era inconstitucional.
O perigo em tudo isso fica por conta de que no futuro esse mesmo STF, secundado pelo STE e adjacências (no caso atual), resolve que outros fatos ainda mais importantes e que digam respeito à vida cotidiana do povo, sejam em sua ótica, verdades incontestáveis, mesmo ferindo o texto constitucional, numa atitude ditatorial (como foi essa), sem que nós, povo, possamos reagir de alguma forma.
Num país em que a competência é punida (vide caso da Vale do Rio Doce), que podemos esperar se o caso comentado servir no futuro, de um exemplo a ser novamente aplaudido?
Ainda não aprendemos o que significa DEMOCRACIA. Lamentavelmente, esse é hoje, um termo usado como escudo para ações sorrateiras e que infelizmente, quando a Revista Veja não consegue a tempo revelar, só vamos descobrir daqui a 20 ou trinta anos.
Se Deus é brasileiro como diz a blague, ele tem cochilado e muito e aí que Satanás nos acuda.

(Eu tendo que ser herege à vista de alguns, para reforçar o que precisa ser conscientizado).