segunda-feira, 24 de junho de 2019



O QUE ESTAMOS FAZENDO AQUI ?


Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo


            Esse é um assunto que a poucos interessa. Em que pese quantos anos vivemos, nunca consideramos o que viemos fazer aqui neste planeta e neste momento histórico dos diversos povos da terra.
            Lutamos de todas as formas possíveis seguindo um roteiro que a sociedade, a religião e nossos pais nos acenam, sem considerar a sua eficácia, seja para nós pessoalmente, como para os demais entes deste planeta.
            Temos uma dura infância, uma escolaridade penosa, uma subsistência difícil ou não, no entanto trabalhosa, no afã de uma realização social quase obrigatória, vivendo o regime do TER, obrigatoriamente tendo que vencer na vida. Não sabemos realisticamente, onde isso vai dar. Não temos a menor idéia do que o destino preparou para nós, afim de podermos enfrentar a vida.
            Já dizia o grande filósofo grego Sócrates: “uma vida não examinada é uma vida não vivida. Por acaso alguém costuma fazer isso.
            Somos cheios de crença, entupidos de mentiras ao longo de toda a nossa vida. E engraçado, nem percebemos. Somos como uma onda que vagueia a esmo, até que um dia já velhos e talvez alquebrados, começamos a desconfiar que fomos iludidos em toda a nossa trajetória.
            Já na meia idade, pessoas que exerceram o magistério superior, começam a perceber que estão a cada ano recebendo alunos na faixa pouco antes da aposentadoria e já com outra graduação feita anteriormente. Aí perguntamos o porque de voltar á faculdade e as respostas mais constantes são: a) não gostei do que fiz antes, agora vou fazer algo de que eu realmente gosto; b) já gastei a minha vocação e agora vou partir para outra experiência para não ficar sem nada para fazer; c) na primeira titulação, segui os conselhos dos meus pais, agora vou colocar minhas idéias em prática.
            Isso entre outras respostas possíveis. Poucas são as pessoas que realmente sabem o que querem da vida. Parece que apenas algumas que nasceram já destinadas, facilmente conseguem se colocar onde deveriam.
            E quanto mais velhos começamos a perceber isso, entramos num processo de tristeza infindável, melancolia e quase sempre em depressão. “Não aproveitei a vida”. E agora, só a morte me espera.
            Precisamos, com urgência, agir de forma a influenciar melhor esses novos habitantes do planeta. Contar a eles a verdade por trás de uma encarnação. Ninguém nasce impunemente. Todos tem uma missão a cumprir. Se ela não é cumprida, perdemos uma oportunidade dada. Só poderá ser recuperada em outra existência.
            Em outra existência, começamos onde paramos anteriormente. As informações têm que ser fornecidas aqui e agora, para que no momento atual haja oportunidade de adequação a um processo consciente, capaz de edificar um bom destino, não só para si mesmo, mas também para a sociedade como um todo.
            Que tal começarmos a pensar em tal possibilidade? Como não seria bom para um mundo do futuro, termos uma sociedade diferente.
            Pensemos nisso.....não custa.

segunda-feira, 17 de junho de 2019


A VERDADEIRA REALIDADE DAS COISAS

Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo

            Vivemos hoje em um mundo de múltiplas turbulências, que nos faz titubear naquilo que acreditamos ser verdadeiro.
            Para nós do mundo ocidental, todo o nosso campo de percepção está eivado de objetividade, da qual dependemos, e cuja realidade aceitamos sem nenhuma crítica. Há campos do conhecimento que, ou por ignorância ou por preguiça em pesquisar, desconhecemos, mas sobre o qual em nosso cotidiano, baseamos os nossos julgamentos e todas as nossas ações.
            Se vagarmos pelo mundo oriental, principalmente para o campo budista tibetano, seja ele mahayana[1] ou theravada[2], adquiriremos conceitos diferentes daqueles que usamos para avaliar a objetividade de nossas experiências.
            Por exemplo, uma das supremas sabedorias desse tipo de conhecimento nos ensina que a impermanência de coisas e eventos é suprema no universo. Buda nos legou os ensinamentos essenciais do budismo que são as Quatro Nobres Verdades, muito utilizadas como citações um tanto negligentes por nós do ocidente que são:
  1. A Verdade da Existência do Sofrimento (impermanência, insatisfatoriedade e impessoalidade;
  2. A Verdade da Causa ou Origem do Sofrimento (desejo, ambição e anseio);
  3. A Verdade da Cessação do Sofrimento ((extinção do desejo, da ambição, do anseio), e;
  4. O Caminho que Conduz À Extinção do Sofrimento (a nobre senda óctupla ou caminho do meio).

Esse composto de conceitos é o que primordialmente nos faz viver uma existência insatisfatória na atualidade.
Enquanto não conseguirmos mudar a nossa teoria de base da vida, mudando nossos conceitos sobre o que é a vida, sobre a morte, e nossa missão enquanto habitantes desse planeta, não conseguiremos atingir uma meta de real felicidade, em busca da qual perpetramos todas as ações, menos as que nos levam a ela.
Ao olharmos a vida e a vivermos nesse mar de materialismo e consumismo desenfreado, não conseguiremos atingir nenhum objetivo válido. Usamos conceitos por demais inválidos, e temos preconceitos demais para julgar nossos atos e o dos outros, procurando sempre uma justificativa válida para nossas tresloucadas atitudes.
O mais interessante é que (99% da população não sabe disso), os conhecimentos veiculados pela Física Quântica, formulam uma teoria de base muito parecida com a que é utilizada pelo Budismo Tibetano. Ou seja, no mundo subatômico só existem eventos de probabilidade e não de realidade, que transformam nossas realidades físicas em entidades impermanentes e, portanto, não existentes em si. 
Diante de tais revelações vindas de conhecimentos tão distantes no tempo (Budismo existindo a partir do séc. VI antes de Cristo e Física Quântica formulada no início do séc. XX ficamos realmente estarrecidos em como as verdades fundamentais do ser humano não sofrem mutações no tempo, justamente porque são verdades fundamentais.
Valeria então, a meu ver, muito a pena, que os seres sencientes desse planeta, possam investigar as verdadeiras realidades da vida, ao invés de agirem somente com base nas teorias e crenças que lhe foram impingidas quer pela família, pelas escolas, pelas religiões e ou pela sociedade. No fim vão verificar estupefatos que estão simplesmente agindo contra si próprios, na procura da felicidade e tranqüilidade fora de si mesmos, quando o nosso universo interno é muito mais rico de satisfação do que do lado de fora. 
E eu aqui pensando que tudo que vejo existe....













































domingo, 9 de junho de 2019


VIDA SIMPLES, VIDA SAUDÁVEL

Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo

            Certa feita, o grande filósofo grego Sócrates encontrou-se na rua com seu discípulo Filón e seguindo juntos numa conversa animada, depararam com o mercado de Atenas (o mercado de Atenas daquela época – séc IV a.C. era como uma feira de rua de qualquer bairro moderno das grandes cidades), quando Filón diz a Sócrates: se me permite mestre, passarei pelo marcado para realizar algumas pequenas compras, mas gostaria de continuar em sua companhia.
            Sócrates prontamente acedeu e passou a acompanhar Filón em sua faina mercadista. Das pequenas compras que Filón disse que ia fazer, só comprou de um tudo. Resultado: chegou ao outro lado do mercado com as mãos cheias. Sócrates tendo acompanhado toda essa trajetória, ao saírem do mercado diz a Filón: Vistes de quanta coisa eu não preciso?
            Sócrates, o homem mais sábio do mundo antigo (no meu entender, de todo o mundo até agora), não precisava de nada que foi comprado por Filón, nem tampouco de tudo o que estivera exposto no mercado.
            Esse artigo pretende fazer um paralelo entre as necessidades de Sócrates e as nossas, guardadas as devidas proporções. Começamos fazendo uma pergunta clássica para essa ocasião: Nós precisamos de tudo o que adquirimos? Por acaso conseguimos usar em curto espaço de tempo tudo que temos?
            Vou começar essa discussão, citando um trecho de Erich Fromm em Ter ou Ser?[1]:
            “A alternativa ter contra ser não fala imediatamente ao senso comum. Ao que tudo indica ter é uma função normal de nossa vida: a fim de viver nós devemos ter coisas. Além do mais, devemos ter coisas a fim de desfrutá-las. Numa cultura em que meta suprema é ter – e ter cada vez mais – e na qual se pode falar de alguém como “valendo um milhão de dólares”, como poderá haver alternativa entre ter e ser? Pelo contrário, tem-se a impressão de que a própria essência de ser é ter: de que se alguém nada tem, não é”.
            Devo neste ponto salientar que grandes mestres da vida fizeram da alternativa entre ter e ser a questão central de seus respectivos sistemas. Exemplificando: Buda ensina que, para chegarmos ao mais elevado estágio do desenvolvimento humano, não devemos ansiar pelas posses e Jesus ensina: “Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se, ou a causar dano a si mesmo (Lucas, 9:24-25). Mestre Eckhart, místico cristão do séc. XIII ensinava que ter nada e tornar-se aberto e vazio, e não colocar o eu no centro, é a condição para conseguir riqueza e robustez espiritual.
            Muito embora os exemplos acima estejam fora do alcance do homem comum, todos nos servem como exemplo para uma útil meditação. Via de regra, aqueles que muito têem, possuem uma natural paranóia da possibilidade da perda. Os que nada têem, normalmente invejam o detentor de bens e muitos até partem para a violência no afã de obtê-los à força.
            Devemos estar livres de nossas próprias coisas e de nossas ações. Isso não significa que não devemos ter posses ou que nada façamos; significa que não devemos estar apegados, atados, encadeados ao que possuímos, ao que temos, e nem mesmo a Deus, no dizer de Eckhart. Ainda me utilizando da filosofia de Eckhart, nosso alvo humano é nos livrarmos das peias do apego ao eu, egocentricidade, isto é, do modo ter de existência, a fim de chegarmos ao pleno ser.
            Consumir é uma forma de ter, e talvez a mais importante da atual sociedade abastada industrial. Consumir apresenta qualidades ambíguas: alivia ansiedade, porque o que se tem não pode ser tirado; mas exige que se consuma cada vez mais, porque o consumo anterior logo perde a sua característica de satisfazer. Os consumidores modernos podem identificar-se pela fórmula: eu sou = o que tenho e o que consumo.
            Podemos facilmente observar que as pessoas que vivem no modo exclusivamente ter não são plenamente felizes e vivem preocupadas em aumentar suas posses e com medo de perdê-las.

10.06.2019
           




[1] Fromm, Erich. Ter ou Ser? Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1980.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018


LIVROS LIDOS EM 2017

 

            Livros lidos em 2017 – 50 (cinqüenta)

             Livros mais importantes lidos em 2017
        
1.      O Poder Transformador do Cristianismo Primitivo
Raul Blanco – Editora Teosófica

2.      O Caminho da Servidão
Frederich August von Hayek – Instituto Ludwig Von Mises Brasil

 3.      Pérolas de Sabedoria
Ramana Marashi – Editora Teosófica

 4.      O Futuro do Pensamento Brasileiro
Olavo de Carvalho – Editora Faculdade Cidade

 5.      As 6 Lições
Ludwig Von Mises – Instituto Ludwig von Mises Brasil

 6.      A Ética das Virtudes segundo São Tomás de Aquino
Bernardo Veiga – Ecclesiae – Cedet

 7.      Sussuros da Outra Margem
Ravi Ravindra – Editora Teosófica

 9.  A Bíblia em Escrutínio
  Emerson Borges – Scortecci Editora

 10.      A Corrupção da Inteligência
Flavio Gordon – Editora Record
  

*Chamo a atenção para todo brasileiro que se preze, não deixar de ler pelo menos A Corrupção da Inteligência.

 

 

domingo, 5 de novembro de 2017

A VERDADEIRA VISÃO DAS COISAS (4) Prof. Msc, FRC, CRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo http://www.pedroangueth.blogspot.com Deixando o terceiro artigo da série, me concentro agora em nova fase da vida, pois, nesse ínterim mudei-me para a área onde se ergueria a cidade de Brasília, já em 1957. Aqui, por falta de nível de estudos em segundo grau, fiquei fora da escola até 1961, quando comecei a cursar o Centro de Educação Média – Elefante Branco – no Curso Clássico – Ciências Sociais, de 04 (quatro) anos de duração, onde, mais uma vez, continuei estudando: Latim, Francês, Inglês, Português, entrando agora Espanhol, e demais disciplinas da área de ciências sociais, como: Filosofia, Sociologia, etc. Esse curso foi uma grande chave para a minha vida futura. Para começar, tenho hoje, dois cursos superiores: Pedagogia e Administração – Pública e Empresarial e nem um dos dois vale aquele curso clássico que fiz antes. Ele foi uma verdadeira formação não só em educação, como formação de caráter, caracterização do Ser enquanto Ser, estimulante em todos os sentidos. Os anos de estudos de línguas nessas duas fases, primeiro e segundo grau me proporcionou, estar apto hoje, sem frequentar nenhum curso específico de língua, a ler e interpretar em inglês, francês e espanhol. Grande parte de minha biblioteca particular está nessas línguas. Sinto-me um afortunado por isso. Além do mais, durante esse curso, tive a felicidade de encontrar um super professor de filosofia que um belo dia de suas aulas, me saiu com essa: prestem a atenção todos vocês “depois de Platão, ninguém disse nada de novo”. Tal afirmação calou fundo em minha consciência e como eu o via como, o melhor professor que eu já tive na vida, guardei a sentença para futura comprovação. Depois disso, fiz o vestibular para o Curso de Direito da Universidade de Brasília, logrando aprovação em 5º lugar. Cursei por 3(três) anos e meio somente. Logo aconteceu da universidade ser invadida por tropas do exército, onde aconteceram algumas barbaridades e como eu não tinha ido a aula naquele dia, motivado por uma gripe, não mais lá fui, abandonando o curso. Depois de passada a tempestade na Universidade de Brasília, não foi só eu que não voltei às aulas, vários foram os alunos que não retornaram. Aí, o governo baixou uma norma, permitindo que a universidade emitisse um documento (histórico escolar e transferência), para todos que o desejassem, que permitia a matrícula em qualquer outra instituição de ensino sem vestibular. Todos nós que ficamos nessa situação, acabávamos de perder o benefício até então concedidos a todos os funcionários do governo, de estudar pela manhã e só trabalhar à tarde até o término do curso. Mas, paciência, essa era a realidade a ser enfrentada. Meses depois um Coronel do Exército, abre uma faculdade de filosofia. Lá estava a minha chance de provar a advertência daquele professor do curso clássico. Fiz minha matrícula e cursei 2(dois) anos e meio. Não é que a direção da tal faculdade se encrenca com o governo e é fechada, mas garantindo todos os nossos direitos como o fez a Universidade de Brasília. Procurei então outra faculdade, desta vez a UDF, onde em proximidade com a filosofia estava a pedagogia, para onde ganharia muitos dos créditos já cursados, lá fui eu para ser de fato o melhor aluno da turma, formando em menos de 3 (três) anos. Logo depois na mesma faculdade, aproveitando também a transferência de créditos fiz mais um ano e meio de Administração, e me tornei logo depois, por 26 (vinte e seis) anos, Professor da UDF, na área de Pedagogia e Filosofia. Já aposentado do serviço público, passei pelo curso de Psicologia do Ceub, Centro Universitário de Brasília, deixando-o para cursar o Mestrado em Educação, de volta ao seio da Universidade de Brasília. Dai, completando minha carreira de Magistério como Professor de Educação no Curso de Pedagogia da Universidade Católica, acumulando como professor de Filosofia no Curso de Pós Graduação em Filosofia e Existência na mesma Faculdade Católica de Brasília. Bom, sem querer fazer nenhum comentário na área do serviço público, trabalhei durante 35 (trinta e cinco) anos e 1 dia, aposentando-me depois. Entre a formação da UDF e a aposentadoria, cursei uma pós-graduação e Magistério Superior e completei uma formação em Psicanálise Clínica. No frigir dos ovos, penso que o que me permitiu essa trajetória, foi minha formação de primeiro e seguindo graus, a base de que precisava para ir adiante. Bom, será que comparando o conteúdo dos meus primeiros anos de escola, com o que hoje tanto o governo quanto os particulares, oferecem às famílias para seus filhos, pode-se dizer que esses alunos saem realmente preparados para a vida? Ao que eu saiba, saem mal preparados para o trabalho e só. Como formação para uma vida humana digna no sentido existencial do termo, acho que deixam muito a desejar. Por isso, os comportamentos atuais de jovens e adultos hoje, que nós mais velhos estranhamos e a sociedade em geral está a reclamar. Mas sobre isso falaremos em nosso próximo encontro. Que a mente divina os colha em paz profunda. 05.11.2017 Continua...

domingo, 29 de outubro de 2017

A VERDADEIRA VISÃO DAS COISAS (3) Prof. Msc, FRC, CRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo http://www.pedroangueth.blogspot.com Continuando o que começamos a dois artigos atrás, hoje vamos falar sobre o: Campo Educacional. A educação de um povo evolui com o tempo e suas necessidades, mas sem deixar alguns aspectos de sua continuidade, como referenciais de produção do Ser por inteiro, atribuindo-lhe um passado de onde foram produzidas as idéias e as utilidades sociais para as quais ele deve ser um patrimônio. Está claro que minha idéia de que, quando penso em reforma de um sistema educacional, aquelas formações de base não devem ser descartadas, pelo simples motivo de que uma ruptura nesse nível, pode abalar a continuidade da formação do Ser, enquanto indivíduo e possuidor do patrimônio cultural de sua sociedade. E por termos visto isso acontecer com a educação brasileira é que hoje pouco entendemos o que deve ser, por exemplo, um currículo escolar destinado a fazer frente ao mundo moderno dessa envolvente tecnologia, que vemos em todo o lugar. Vamos, portanto, mergulhar no tempo passado e fazer algumas digressões. E para fazer isso, vou logo pedindo desculpas aos meus leitores para fazer um pouco de auto-biografia como parâmetro de comparação. Pois bem, entrei na escola primária de minha cidade de interior das Minas Gerais com 7,1/2 (sete anos e meio), porque naquela época a escola só admitia ao primeiro ano primário, a criança que contasse 7 (sete) anos completos e, como faço aniversário do meio do ano, só pude entrar seis meses depois. No fim do primeiro ano de escolaridade eu estava completamente alfabetizado. No fim do seguindo ano, sabia todas as operações fundamentais da aritmética e tinha a taboada sabida e decorada. Ainda até hoje sei a taboada de cor. Ao longo dos anos, tivemos aula de Geografia Geral e do Brasil, História Geral e do Brasil, Ciências, Linguagem e depois Português. A disciplina era rígida. O uniforme era obrigatório com sapatos muito bem engraxados (e ora que a escola era pública e única porta de entrada para ricos e pobres, pois era a única), e eu pertencia a uma família pobre naquela época. Cada aluno portava o seu próprio lanche. A escola não o fornecia, como hoje. A chegada se dava pelo pátio, onde havia formação (militar em filas) quando era hasteado Pavilhão Nacional e cantado o Hino Nacional. Depois cada fila deixava o pátio, cada aluno com destino à sua sala de aula. Lá ficavam sentados até a chegada da professora em silêncio, e quando ela entrava, todos os alunos se punham de pé. Era a lição de respeito à autoridade. A família era parceira íntima da escola. Quando o aluno era punido na escola (diversos tipos de punição) ele também era fatalmente na família (pelo menos na minha era). A família acompanhava tudo o que acontecia na escola. Vigiados por todos os lados, o aluno não tinha senão que estudar. E estudava. Quando chegavam ao 4º ano, todos enfrentavam o terror do primeiro vestibular de sua vida. O Exame de Admissão, que era destinado a separar aqueles melhores alunos que continuariam a se beneficiar da escola pública gratuita e aqueles que teriam que dela se separar indo para uma escola particular, quando o pai podia pagar, ou então parar aí os seus estudos. Fiz o meu exame em 1951, logrando aprovação com notas altas, e média final 81. Agora estava preparado para enfrentar um currículo pesado. Vejamos a sequência das disciplinas no ciclo chamado de Ensino Médio. 5º ano: -Português, Latim, Francês, Matemática, História Geral, Geografia Geral, Trabalhos Manuais, Desenho e Canto. 6º ano: -Português, Latim, Francês, Inglês, Matemática, História Geral, Geografia Geral, Trabalhos Manuais, Desenho e Canto. 7º ano: -Português, Latim, Francês, Inglês, Matemática, Ciências, História Geral, Geografia Geral, Trabalhos Manuais, Desenho e Canto. 8º ano: -Português, Latim, Francês, Inglês, Matemática, Ciências, História Geral, História do Brasil, Geografia Geral, Desenho e Canto. Farei agora, alguns comentários em adendo a esse ciclo de estudos. 1) Nesse ciclo era costume termos em cada ano, um grupo de poesia, que de tempos em tempos se apresentava em numa pequena academia interna, deleitando-nos com o que havia de mais divino em poesia da época. 2) Havia também sessões de Canto Orfeônico, com representações grupais, verdadeiramente interessantes. 3) Havia vida na escola, e quem dela não participasse convenientemente, com certeza era convidado a repetir o ano. Naquela época isso não era raro, mas só por uma vez, porque na segunda a porta da escola o chamava para fora de sua convivência. Perdia-se aí o benefício da gratuidade. 4) Examinando o Currículo apresentado, chama-se a atenção também para trabalhos manuais, onde aprendíamos a construir e tecer objetos e junto com desenho adquirir várias habilidades úteis na vida prática. 5) As disciplinas de Latim, Francês e Inglês, nos proporcionaram ao final do 8º ano, a capacidade de ler, traduzir e interpretar textos nessas línguas, com facilidade. (Mais tarde, farei outros comentários sobre isso). Obs.: Enfrentei tudo isso, bem como outros colegas, trabalhando pela manhã, à partir de 11 (onze) anos de idade, portanto, já no segundo ciclo de estudos. Que a mente divina os colha em Paz Profunda 29.10.2017 Continua....

domingo, 22 de outubro de 2017

A VERDADEIRA VISÃO DAS COISAS (2) Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo http://www.pedroangueth.blogspot.com No artigo anterior, prometi falar mais detalhadamente de cada um dos itens capitulados para melhor explicitação de minhas idéias. Portanto, hoje, vamos tratar do primeiro e talvez o mais importante dos parâmetros a serem considerados, o campo familiar. Aparecemos neste mundo a partir de alguém que tem sua vida e seus relacionamentos plantados neste planeta. Já antes mesmo de nosso nascimento, vivenciamos de uma forma peculiar, experiências internas ao corpo da mãe, bem como os movimentos que acontecem à volta da barriga da mãe, sejam experiências positivas ou negativas. Só por isso, podemos inferir que nascemos já com situações que podem nos marcar pelo resto de nossos dias. Se forem negativas, podem estar comprometidas nossa personalidade como nosso caráter. Felizmente, alguns no futuro, encontram uma forma de resolver estas questões antes que elas (se negativas) possam levar ao pior dos mundos: prisão, hospitalização psiquiátrica ou suicídio, assim como algumas psicopatologias, ou doenças graves, como por exemplo: depressão, bem como ao mundo das drogas. A forma moderna de viver e criar os filhos das famílias, atualmente, incide no engano de que, ambos os pais trabalharem fora para melhorar a composição financeira do casal, tendente a melhorar a vida de toda a família, em muitos casos se torna um erro terrível. Campo familiar. Generalidades. Ao longo da história dos diversos tipos de povos que habitaram e habitam nosso planeta, a formação familiar se apoiou no fato não só verificado da propagação da espécie, como na necessidade de provimento de abrigo, alimentação e convivência. Mas tal comportamento, com o tempo transformou-se numa forma de viver na interexploração dos membros constituintes, ou seja, o homem explorando quer sexual e economicamente a mulher, bem como os filhos, nas épocas em que braços eram necessários para a caça, a pesca e a agricultura e a mulher posicionando-se com uma útil dependência, criando um “status” de imprescindível na manutenção da unidade familiar, afora um período de matriarcado, no qual assumiu o poder familiar. À medida que a civilização avançava naturalmente as famílias também sofreram mudanças em seu “status”. Com o desenvolvimento econômico e social auferido pela civilização em todas as regiões do globo, o trato da família mudou consideravelmente sua configuração. As novas legislações sobre tudo, atingiram em cheio uma parte da educação familiar que depois teve graves consequências para a sociedade. Era comum nas famílias, pelo menos interioranas, o incentivo a começar cedo o trabalho e as próprias regulamentações da época a apoiavam. Considero a educação pelo trabalho (da qual participei ativamente) como um dos melhores caminhos para a formação do caráter e da cidadania. Mas as novas legislações mudaram tudo, desorganizando o que estava perfeito, no meu entender e por ter participado da boa experiência. - A família de que me lembro. Pai, Mãe e cinco filhos. Disciplina: 1. Ao levantar, todos os irmãos arrumavam suas camas, e faziam o asseio do quarto. Não podiam voltar às camas para desarrumá-las senão à noite para dormir. 2. No quadro das obrigações semanais, um de nós ficava com a obrigação da arrumação do ambiente das refeições e um outro pela lavação da louça usada. Trocava-se na semana seguinte. 3. Um outro teria a obrigação de encerar à mão o assoalho de toda a casa, assim como lustrar usando um instrumento chamado escovação (muito exercício físico). Na semana seguinte outro assumia a tarefa. 4. Nunca compartilhamos os mesmos ambientes com as visitas de nossos pais e aí daquele que atrapalhasse uma. 5. Não tínhamos biblioteca em casa. Somente uns poucos livros recomendados pela escola, com pouquíssimas ilustrações e sem exercícios. Meu pai possuía uma pequena estante com alguns exemplares que me foram muito úteis, dada a minha sede de leitura desde cedo. Mas deu só para o começo. Obs. Naquela época não havia geladeira, fogão a gás, telefone e televisão. As tarefas escolares eram acompanhadas de perto, com os ajustes dos castigos necessários. Apreciando meu próprio tempo, a família, apesar das falhas, comuns em qualquer época, procurava transmitir os valores familiares e sociais, compartilhados por um conjunto de comportamentos que hoje não se vê muito. Por exemplo, toda a família freqüentava a missa de domingo toda junto, e com fiscalização visual dos pais, a zelar pela boa apresentação e respeito ao que se devia ao ambiente. Um detalhe importante: a família era parceira da escola, o professor não podia se desrespeitado de nenhuma forma. Castigos na escola, refletiam em mais castigos em casa. A caderneta escolar era seriamente examinada. Notas baixas, nem se fala. Cada família aplicava o corretivo de seu próprio alvitre. Não tenho noção de ter vivido problemas na adolescência. A educação era tão rígida e organizada que as situações hoje normalmente propaladas não eram evidentes naquela época, pelo menos em minúsculas cidades do interior como a que vivi. Comecei a trabalhar por meio período num armazém de secos e molhados, carregando as compras dos fregueses pelos endereços da cidade. Depois foi empregado de uma indústria de pregos, tachinhas e parafusos, bem como equipamentos para cavalo. Operava uma máquina de perfurar as ferraduras dos cavalos. Passei também pela experiência de trabalhar numa fábrica de vinho, onde, por sinal, aprendi a apreciar a bebida. Passados mais ou menos 4 (quatro) anos, meu pai adquiriu um bar e restaurante, onde todos os filhos trabalhavam por revezamento, todos sem perder o turno escolar. Quando completei 17 (dezessete) anos nosso rumo de vida mudou, sem necessidade de comentários aqui. Tenho a certeza de que várias milhares de famílias, passaram por experiências similares, pois, esse era o nosso mundo. Continua... 22.10.2017