segunda-feira, 10 de abril de 2017

A VERDADEIRA VISÃO DAS COISAS(1) Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo http://www.pedroangueth.blogspot.com Todo mundo razoavelmente consciente, considera interpretar o mundo de forma correta, agir de forma correta consigo mesmo e com os outros, inclusive com os objetos que vê e manipula, sejam eles micro e macrocósmicos. O nosso modo de ver as coisas nos é implantado em diversas instâncias: em casa pelos pais e ambiente familiar, de conformidade com as idéias que nesses atores foi implantada, pela educação (através dos diversos níveis escolares) que foi implantada na cabeça dos formuladores da política educacional, habitantes estes do mundo da política quer, partidária, econômica, social e religiosa que, em algum momento dado, sofrem influência do caldo de cultura social dominante e cada época, dos dispositivos políticos, religiosos, científicos e judiciários das diversas comunidades, bem como da própria influência da sociedade através das idéias geralmente aprovadas e consumidas, assim como das idéias veiculadas através da mídia em todos os seus níveis de expressão e de influência, e do campo editorial, inclusive pelo que se publica e permite ao público ler e assim favorecer suas opiniões. Opinião, já para os filósofos gregos de 2.400 (dois mil e quatrocentos) anos, era “doxa”, ou seja, não era verdade, não era conhecimento, apenas uma idéia particular das pessoas a respeito de qualquer coisa. Uma verdadeira visão das coisas exige um outro tipo de comportamento. Vejamos campo a campo, o que se pode desmistificar. 1º - Campo familiar. Ao longo da história dos diversos tipos de povos que habitaram e habitam nosso planeta, a formação familiar se apoiou no fato não só verificado da propagação da espécie, como na necessidade de provimento de abrigo, alimentação e convivência. Mas tal comportamento, com o tempo transformou-se numa forma de viver na interexploração dos membros constituintes, ou seja, o homem explorando quer sexual e economicamente a mulher, bem como os filhos, nas épocas em que braços eram necessários para a caça, a pesca e a agricultura e a mulher posicionando-se com uma útil dependência, criando um “status” de imprescindível na manutenção da unidade familiar, afora um período de matriarcado, no qual assumiu o poder familiar. 2º - Campo educacional. A educação, como forma de atuação dos governantes sobre a sociedade, começou quando se percebeu que o rebanho humano devia estar unido, a serviço de determinadas autoridades e seus objetivos. Houve necessidade de formar as profissões destinadas ao funcionamento da economia, criação de valores sociais aprovados, enfim à sobrevivência enquanto aqui na terra. 3º - Campo religioso. Talvez o mais autônomo dos campos, o religioso surgiu numa situação de necessidade de explicação da existência de fenômenos que o homem não estava preparado para explicar. Dai aparecerem os exploradores que, formatando idéias que levaram em conta o medo de sanções quer nesta ou em outra vida, a idéia de pecado contra uma entidade transcendente, valores pessoalmente criados como forma de posicionar as pessoas dentro de determinados comportamentos, a ponto de poder suibjugá-las, servindo muitas vezes como apoio político ao governante da época (vimos muito disso no Brasil ao longo do século XX), influenciando decisões pessoais, contra o próprio interesse das pessoas (veja a guerra sobre o uso das células tronco e até mesmo sobre o aborto de anacefálicos, por fim resolvida por decisão do STF). Independente de qual seja, toda religião é conservadora e retrógrada. Mantendo postulados do passado remoto que não mais vigem, mantém grande parte da população em estado de ignorância e escravidão social, que só lhe pode trazer problemas e não soluções. 4º Campo político e econômico. A política e a economia são dois vetores dos mais importantes na formatação das mentes. O Campo político moderno é derivado de diversas experiências que se fizeram ao longo dos tempos, na tentativa de melhor governar. Atua através de diversos mecanismos (inclusive corrupção, como estamos vendo), no afã de atingir seus objetivos, excusos ou não. Atingir o poder e se manter nele (muito egocêntrico) e enganar são os objetivos de muitos políticos (felizmente de não todos, pois há os naturalmente honestos e idealistas). O ser humano socialmente comum, quando influenciado por estes campos, está flutuando num mar sem rumo, pois está ao sabor de decisões alheias, mas que estranhamente vão lhe trazer diversos tipos de consequências, das quais não poderá se livrar. 5º Campo científico. O mais abalizado de todos, esse campo, muito embora ter produzido muitas desgraças para o planeta (veja guerras, destruições ecológicas, etc), tem sido extremamente útil ao homem, notadamente no campo da medicina. Exigindo muito do campo educacional para sua proliferação e sucesso, produz muitas idéias que, com o tempo se tornam populares e que de certa forma influencia mentalmente o homem através dos hábitos que promove. Mesmo com conhecimentos historicamente mutantes, pois a pesquisa nunca para, fomentando novos conhecimentos, ainda assim supera de certa forma os outros campos (não o da educação, dele derivado), como forma de produzir certezas que, nem as opiniões, nem o campo familiar, religioso e social, proporcionam. 6º Campo midiático. O mais nefasto dos campos. Apesar de necessariamente informar, produz também um rol de opiniões desnecessárias, previsões irreais, estatísticas falsas, idealismo e pessimismo desnecessários, levando o homem a um conjunto de ações que podem ser-lhe altamente prejudiciais. Sem falar da famosa divisão entre mídia de esquerda e de direita, tão mal trabalhada em nosso pais. Isso inclui tanto a mídia televisiva como a impressa. Sempre buscando também influenciar aqueles que estão sob sua influência, podem servir a grupos de interesses, os mais contraditórios, sem que os influenciados o saibam, obnubilando seus julgamentos e consequentemente suas ações. 7º Campo editorial. Eis um campo que também serve a múltiplos interesses. Um dos exemplos mais notórios é verificar quantos livros impressos sobre política de esquerda (seja no campo econômico ou social) e quantos são os de outras linhas, como, liberal, direita, centro direita, etc. Desde 1922, esse país vem sendo maciçamente bombardeado com obras de autores de esquerda, como se o país, (como já pretenderam alguns e ainda pretendem) tivesse uma vocação esquerdista. Dai a deslavada história mal contada sobre o Golpe Militar de 1964, para uma juventude moderna, que só quer saber de samba, futebol, rock, drogas, festivais musicais de influência estrangeira de péssima qualidade e dinheiro fácil através dos altos salários do serviço público. Para estes o passado que fundou o presente e prepara o futuro, pouco importa. A única maneira correta de ter uma visão verdadeira das coisas é saber pesar todas as influências que estão tentando nos impingir, e usar o nosso livre arbítrio para fugir de uma vida de fantoches a serviço do alheio. Sem conhecimento e sabedoria verdadeiramente espiritual, todas as mentes estão sendo enganadas e mal usadas, 24 (vinte e quatro) horas por dia, 365 (trezentos e sessenta e cinco dias) por ano. Talvez muitos queiram continuar vivendo como estão: nascendo, aprendendo o que lhe ensinam, formando nas diversas profissões ou não o conseguindo, casando, tendo filhos sem saber como criá-los, envelhecendo, adoecendo, um dia sabendo que não se realizaram na vida, e finalmente morrendo, para quê. Nesse caso qual a finalidade de uma vida. Isso? Isso é lixo... Para tanto, nosso próximo trabalho será discutir uma forma de, através de uma vida mais espiritual, no verdadeiro termo, dar oportunidade a que, cada um que estiver interessado, iniciar a sua caminhado. Assim, não percam os próximos capítulos. BSB, 10.4.2017

domingo, 26 de março de 2017

HINO A ATON Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo http://www.pedroangueth.blogspot.com Esse é possivelmente, o hino mais traduzido do Egito faraônico. Trata-se de uma das melhores manifestações religiosas do culto solar de Aton, adorado como o Sol, caracterizando-se pelo seu monoteísmo rígido, ao contrário das demais teologias solares anteriores. Muito parecido até com a forma com que os Salmos bíblicos foram publicados, inaugura um tempo que trouxe grandes consequências místicas e religiosas para o Egito, pois o Faraó Amenotep IV, fora posteriormente perseguido e morto pelos seguidores da crença comum de sacerdotes e povo do Egito, pois, tal ato teria inaugurado uma outra forma de culto, agora monoteísta, pois consta que esse faraó, foi o primeiro na história conhecida da humanidade, a declarar publicamente, a existência de um Deus Único. Glória de Ra Har-akhit, Júbilo no Horizonte em seu nome de Shu que está no Disco de Aton, que viva para todo o sempre; o grande vivente Aton em festa, Senhor de tudo que Aton evolve, Senhor do céu, Senhor do mundo, Senhor da Casa de Aton em Akhut-Aton; (e glória do) Rei do Alto e do Baixo Egito, que vive na verdade, Senhor das Duas terras! Nefer-Kheperu-Ra Ua-em-Ra, Filho de Ra, que vive na verdade, Senhor dos Diademas; Akh-em-Aton, que viva para Todo o sempre; (e glória da) Esposa do Rei, sua amada, Senhora das Duas Terras! Nefer-Neferu-Aton, Nefert-iti, que viva para todo o sempre (pelo) Ajudante da Mão Direita do Rei... Ay. Ele disse teu clarão é belo no horizonte do céu, tu, vivo Aton, começo da vida! Quando te elevas (no horizonte) oriental, Enches toda a terra com tua beleza. És belo, és grande, brilhas (no) alto, acima de todo país; teus raios beijam as terras e tudo o que criaste. Es Ra e penetras até o fim das terras; Junta-as para teu amado filho (o faraó). Estás longe, (mas) teus raios estão sobre a terra; estás nas alturas, (mas) teus passos são invisíveis. Quando te deitas no horizonte ocidental, o mundo fica na escuridão como se fosse a morte. Os homens dormem em suas alcovas, suas cabeças estão ocultas, seus narizes estão obstruídos e nenhum olho vê o outro, enquanto são roubadas todas as suas coisas, sob suas cabeças, sem que o notem. Todos os leões saem de seu antro, todas as serpentes mordem e as trevas tudo cobrem, o mundo está em silêncio; seu criador descansa no seu horizonte. A terra ilumina-se ao te elevares no horizonte. Quando brilhas como Aton foge a escuridão. Quando teus raios envias, Rejubilam-se as Duas Terras. Os homens acordam e levantam-se sobre seus pés porque tu os ergueste. Banham seus corpos e tomam (suas) roupas; Seus braços elevam-se em adoração quando resplandesces. Todos os homens ocupam-se em seus trabalhos. O gado alegra-se com a sua passagem; (as) árvores e (as) relvas verdejam. Os pássaros deixam seus ninhos para voejar entre árvores e hastes verdes, suas asas batem(em louvor) ao teu KA. Todos os cordeiros pululam; os pássaros, tudo que bate asas, vivem porque surgiste para eles. Os barcos descem e sobem o rio, Todos os caminhos estão abertos porque tu brilhas. Os peixes saltam diante da tua face, (pois) teus raios penetram profundamente no Grande Mar Verde. Fizeste nascer o fruto nas (entranhas das) mulheres, Criaste a semente nos homens; susténs com vida o filho no ventre de sua mãe, tu o adormeces para que não chore, tu, ama no ventre (materno)! A respiração existe, para tudo vivificar, no que animas. Quando ele surge do ventre (de sua mãe) no dia de seu nascimento, tu abres sua boca (para gritar) e supres suas faltas. Quando o pintinho pia no ovo, ali mesmo tu lhes dás o ar, a fim de conservá-lo vivo; quando o tornas forte para que rompa o invólucro, ele sai do ovo e pia alegremente, e corre sobre suas patinhas assim que sai. Como são variadas as tuas obras! Estão ocultas para nós, oh tu, deus único, cuja força nenhum outro possui! Criaste o mundo segundo teu desejo enquanto estavas só: os homens, todos os animais, grandes e pequenos, tudo que, sobre a terra, caminha sobre pés, tudo o que, no céu, voa com asas. As terras altas da Síria e da Núbia, e a terra do Egito, puseste cada uma no seu lugar e criaste o que elas necessitam: cada um tem seu alimento e calculado os seus dias. Suas línguas fala diversamente, como é diferente a cor de sua pele. Sim tu diferencias os povos! Criaste o Nilo no Mundo Inferior e o fizeste surgir à tua vontade para conservar vivo o povo (do Egito), pois o fizeste para ti, senhor de todos, que por eles te fatigas, senhor de todas as terras, que para elas surges, Disco do Dia, grande em glória. Criaste (também) a vida De todas as longínquas terras altas. Puseste um Nilo no céu a fim de que perto delas corresse e com suas vagas as montanhas batesse, com o Grande Mar Verde, regando seus campos conforme suas faltas. Quão benévolos são os teus desígnios, oh Senhor da eternidade! O Nilo do céu, tu o dás ao país das montanhas e aos animais que sobre pés andam em toda as terras altas; mas o Nilo eu vem do Mundo Inferior, tu o dás ao Egito. Teus raios nutrem todos os campos; vivem quando brilhas, para ti verdejam. Criaste as estações para renascer tudo o que fizeste. O inverno para lhes levar o frescor, e o verão quente para que de ti fruíssem. Criaste o céu distante para aí subires e contemplares o que engendraste, tu, só tu, resplandecente em tua forma de Aton vivente, elevando-te radioso e brilhante, retirando-te e voltando. Criaste milhões de formas apenas de ti, que és Um; cidades, aldeias, colônias, as estradas e o rio: todos os olhos vêem-se diante de si, quando és o Disco o Dia sobre a terra. Estás em meu coração e nenhum outro te conhece senão teu filho Nefer-Kheperu-Ra Ua-em-Ra, (porque) tu o iniciaste em teus desígnios e em tua força. O mundo está na tua mão, bem como tudo o que criaste. Se te levantas, ele vivem, se te deitas, eles morrem. Tu és vida por ti mesmo, os homens vivem (apenas) através de ti. Todos os olhos contemplam a beleza até que te deitas., Todo o trabalho cessa quando no horizonte te estendes. (Mas) ao (de novo te) ergueres, fazes (tudo) florescer para o rei, desde que fundaste a terra e a construíste para teu filho, que é vindo do teu corpo: o Rei do Alto e do Baixo Egito, que vive na verdade, Senhor da Duas Terras; Nefer-Kheperu-Ra Ua-em-Ra, Filho de Ra, que vive na verdade, Senhor dos Diademas: Akh-em-Aton, que viva para todo o sempre; (glória da ) Esposa do rei, sua amada, Senhora das Duas Terras; Nefer-neferu-Aton Nefert-iti, que viva saudável e jovem para todo o sempre. Brasília, 26.3.2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

RELIGIÃO... A... AS RELIGIÕES Prof. Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araújo http://pedroangueth.blogspot.com Desde 1.118, quando os católicos e protestantes da Irlanda do Norte, começaram as suas escaramuças, que perduram até hoje, vemos que, numa velocidade alucinante, as guerras religiosas incendiaram o mundo. E tudo começou, quando o Imperador Constantino, no século IV, resolveu apoiar os cristãos nascentes de Roma, vindo por isso a ser criada a Igreja Católica. Essa instituição foi responsável, pela eliminação sumária de quantos Gnósticos (uma das alas do cristianismo primitivo) eram encontrados nas perseguições montadas para esse fim, pois suas teorias religiosas diferiam daquelas então implantadas. De lá para cá, um sem número de ações premeditadas, foram coordenadas de, século a século, a fim de eliminar desafetos, a exemplo dos grupos franceses, denominados, cátaros, albingenses e valdenses, pertencentes a organizações gnósticas, que foram simplesmente eliminadas a fio de espada, válido tanto para idosos, mulheres e crianças, criando um campo vazio em cada cidade destruída. Vale lembrar também a longa perseguição que os judeus sofreram ao longo da história, culminando com o holocausto na segunda guerra mundial. A Ordem dos Templários no séc. XII que, por um decreto Papal, foi condenada a deixar de existir, para que seus bens (fortuna imensa) fosse transferida para a Igreja Católica, àquele tempo, um pouco falida. Na Idade Média, por exemplo, as perseguições eram tanto organizacionais, como pessoais, bastava saber-se diante de alguém que não concordava com as proposições religiosas, promulgadas pela Igreja Católica, vide o caso de Galileu. Isso foi possível, primeiramente por conta de ações inquisitórias; vigiam na época as ordenações da Santa Inquisição, promulgadas e acionadas pelo Vaticano, hoje denominada "Congregação para a Doutrina da Fé". E naquelas nações onde não há guerras, notadamente Estados Unidos da América e alguns paises europeus, percebe-se nitidamente, perseguições de várias formas, principalmente a muçulmanos e mulçumanas, os primeiros com medo de terrorismo e as segundas, com relação ao uso da vestimenta religiosamente recomendada. Por outro lado, há fundamentalismos religiosos, principalmente entre os muçulmanos, que vivem perenemente por conta de perseguir principalmente, cristãos. Além disso, com fundamentação política, social e também religiosa, persegue-se negros, homossexuais, simpatizantes de aborto, drogas, e outros quejandos. No Brasil, por incrível que pareça dada nossas raízes culturais, negros sempre foram mal tratados, primeiramente por grupos religiosos – lembrando que foi a Igreja de Roma um dos financiadores do tráfico negreiro da África para o Brasil, judeus ricos também foram enquadrados, as mulheres foram sempre discriminadas, política, social e religiosamente, os negros até hoje, a questão do aborto sempre teve o dedo das religiões, as diversas desigualdades que aqui vicejam tem o dedo de todo o mundo. Houve, no inicio do séc XX, uma intensa perseguição às religiões de base africana, Umbanda, Candomblé e congêneres, tanto do ponto de vista político (a polícia era o agente), e das religiões estruturadas. Bem até hoje, vez por outra há uma escaramuça contra as religiões afro-descendentes. Mas, por incrível que pareça, não há no Brasil, uma guerra religiosa, nem perseguição ostensiva hoje. O que há são resquícios de preconceitos. Os templos religiosos estão abertos e funcionando em todo o lugar, muitas vezes, uns vizinhos dos outros sem nenhum problema. No Brasil é assim, somos hoje, naturalmente muito liberais. Palestinos se confraternizam com judeus. Conheço uma infinidade de católicos que frequentam assiduamente centros espíritas, e agora estou sabendo que há neste país, kardecistas e evangélicos que frequentam um centro Islâmico em São Paulo e que existem mulçumanos espíritas. (Vide páginas amarelas) da Revista Veja, edição 2521, de 15 de março de 2017, segundo nelas, as palavras do mais graduado xeque xiita brasileiro, Rodrigo Jlloul. O que gostaria de ressaltar aqui, é que nesse ponto, podemos, sem nenhuma dúvida, nos tornarmos exemplos para o resto do mundo e devia, com certeza, ser mais difundida essa admirável atitude social de nosso povo. Não que não há muitos reparos a fazer em nossa cidadania e civilização, mas nada com que nos devamos preocupar. Brasília, 20 de março de 2017

terça-feira, 16 de abril de 2013

O SENTIDO DA VIDA Muitas são as pessoas que lutam por toda uma vida para descobrir um sentido para a existência. Como nascem em famílias que nunca pensaram nisso, freqüentaram escolas que não pensaram nisso e religiões que desfiguraram isso, bem como viveram ou vivem em sociedades alienadas, quando vêem a passar por processos vivenciais como carências de toda ordem e sofrimentos incompreensíveis, ao invés de examinarem seus modos de vida, entram em depressão por não saberem como agir para enfrentar as circunstâncias que as cercam. O estranho como parece ser é que o progresso que a humanidade vem alcançando nas últimas décadas, em todos os campos do conhecimento, principalmente a tecnologia hoje aplicável a todas as áreas da vida, na pretensão de trazer maior facilidade e felicidade na vida, nada tem contribuído para esse fim. Os seres humanos na sua avidez por construírem uma vida confortável, apelam por tudo que podem fazer com que se sintam realizados, mas no fim, quando encontram quaisquer adversidades, percebem de alguma forma que a estrada que palmilharam não desembocara, necessariamente, aonde desejavam. Formados como HOMENS DE DESEJO, ávidos por consumirem todos os mais novos produtos da tecnologia, bem como gozarem de todos os prazeres possíveis, vêm-se em algum momento, insatisfeitos com tudo aquilo que conseguiram, porquanto, no fim, isso não os realiza. Via de regra a humanidade passa por todo o trajeto da existência sem pensar que, apesar de tudo, somos seres de uma contingência inescapável. Basta pensar que um dia vamos inevitavelmente morrer e tudo desaba! Isso sem falar de catástrofes possíveis como terremotos, tusinamis, terrorismo, falências financeiras, doenças incuráveis ou qualquer outro fator que pode nos atingir a qualquer momento. O homem moderno (materialista, consumista, arrogante, pretensioso, etc.), sem o saber, está vivendo a custa de situações contingenciais que, na verdade, não pode controlar. Esquecendo do mais importante que é o seu INTERIOR, não aprendendo a conhecer-se, fica eternamente vulnerável a tudo o que lhe pode acontecer. Hoje várias são as teorias mais avançadas em psicoterapia, tanto quanto em ciências de vertente oriental, que propugnam pela existência de um DESTINO PESSOAL, que cada um possui e que deve ser racionalmente administrado. Costumo dizer para meus amigos e aos pacientes também que não NASCEMOS IMPUNEMENTE, pois cada um tem uma missão a cumprir. Se conseguimos percebê-la e para ela nos preparar, podemos viver tranquilamente na certeza de que nada mais precisamos fazer além de VIVER. Nesse caso, então, a morte não nos encontrará desprevenidos, e os outros eventos da vida também não. Devemos, portanto, tentar descobrir o sentido de nossas vidas e caminhar para suas realizações. Sabemos, no entanto, que os elementos que recebemos da vida (família, escola, religiões e sociedade) não nos aparelham para isso. No entretanto, não devemos voltar as costas às grandes conquistas que a ciência e a filosofia nos colocou nas mãos. Precisamos, sim, resgatar os conhecimentos alternativos que as sociedades e grupos antigos nos legaram e que de uma forma ou outra a modernidade apagou de nosso conhecimento. Temos que nos voltar para dentro, para encontrar o fio de Ariadne que nos guiará à fonte onde poderemos saciar nossa sede de verdade. Em que pese todo o conhecimento técnico acumulado até agora, o que temos são Verdades Relativas, que mudam com o tempo. O que precisamos encontrar são as nossas próprias Verdades Interiores que o tempo não apaga Como fazer isso? Pretendo dar algumas indicações nos próximos escritos....

segunda-feira, 25 de março de 2013

A VERDADEIRA REALIDADE DAS COISAS Vivemos hoje em um mundo de múltiplas turbulências, que nos faz titubear naquilo que acreditamos ser verdadeiro. Para nós do mundo ocidental, todo o nosso campo de percepção está eivado de objetividade, da qual dependemos, e cuja realidade aceitamos sem nenhuma crítica. Há campos do conhecimento que, ou por ignorância ou por preguiça em pesquisar, desconhecemos, mas sobre o qual em nosso cotidiano, baseamos os nossos julgamentos e todas as nossas ações. Se vagarmos pelo mundo oriental, principalmente para o campo budista tibetano, seja ele mahayana ou theravada , adquiriremos conceitos diferentes daqueles que usamos para avaliar a objetividade de nossas experiências. Por exemplo, uma das supremas sabedorias desse tipo de conhecimento nos ensina que a impermanência de coisas e eventos é suprema no universo. Buda nos legou os ensinamentos essenciais do budismo que são as Quatro Nobres Verdades, muito utilizadas como citações um tanto negligentes por nós do ocidente que são: 1. A Verdade da Existência do Sofrimento (impermanência, insatisfatoriedade e impessoalidade; 2. A Verdade da Causa ou Origem do Sofrimento (desejo, ambição e anseio); 3. A Verdade da Cessação do Sofrimento ((extinção do desejo, da ambição, do anseio), e; 4. O Caminho que Conduz À Extinção do Sofrimento (a nobre senda óctupla ou caminho do meio). Esse composto de conceitos é o que primordialmente nos faz viver uma existência insatisfatória na atualidade. Enquanto não conseguirmos mudar a nossa teoria de base da vida, mudando nossos conceitos sobre o que é a vida, sobre a morte, e nossa missão enquanto habitantes desse planeta, não conseguiremos atingir uma meta de real felicidade, em busca da qual perpetramos todas as ações, menos as que nos levam a ela. Ao olharmos a vida e a vivermos nesse mar de materialismo e consumismo desenfreado, não conseguiremos atingir nenhum objetivo válido. Usamos conceitos por demais inválidos, e temos preconceitos demais para julgar nossos atos e o dos outros, procurando sempre uma justificativa válida para nossas tresloucadas atitudes. O mais interessante é que (99% da população não sabe disso), os conhecimentos veiculados pela Física Quântica, formulam uma teoria de base muito parecida com a que é utilizada pelo Budismo Tibetano. Ou seja, no mundo subatômico só existem eventos de probabilidade e não de realidade, que transformam nossas realidades físicas em entidades impermanentes e, portanto, não existentes em si. Diante de tais revelações vindas de conhecimentos tão distantes no tempo (Budismo existindo a partir do séc. VI antes de Cristo e Física Quântica formulada no início do séc. XX ficamos realmente estarrecidos em como as verdades fundamentais do ser humano não sofrem mutações no tempo, justamente porque são verdades fundamentais. Valeria então, a meu ver, muito a pena, que os seres sencientes desse planeta, possam investigar as verdadeiras realidades da vida, ao invés de agirem somente com base nas teorias e crenças que lhe foram impingidas quer pela família, pelas escolas, pelas religiões e ou pela sociedade. No fim vão verificar estupefatos que estão simplesmente agindo contra si próprios, na procura da felicidade e tranqüilidade fora de si mesmos, quando o nosso universo interno é muito mais rico de satisfação do que do lado de fora. E eu aqui pensando que tudo que vejo existe....

segunda-feira, 18 de março de 2013

VIDA SIMPLES, VIDA SAUDÁVEL Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo http://www.pedroangueth.blogspot.com Certa feita, o grande filósofo grego Sócrates encontrou-se na rua com seu discípulo Filón e seguindo juntos numa conversa animada, depararam com o mercado de Atenas (o mercado de Atenas daquela época – séc IV a.C. era como uma feira de rua de qualquer bairro moderno das grandes cidades), quando Filón diz a Sócrates: se me permite mestre, passarei pelo marcado para realizar algumas pequenas compras, mas gostaria de continuar em sua companhia. Sócrates prontamente acedeu e passou a acompanhar Filón em sua faina mercadista. Das pequenas compras que Filón disse que ia fazer, só comprou de um tudo. Resultado: chegou ao outro lado do mercado com as mãos cheias. Sócrates tendo acompanhado toda essa trajetória, ao saírem do mercado diz a Filón: Vistes de quanta coisa eu não preciso? Sócrates, o homem mais sábio do mundo antigo (no meu entender, de todo o mundo até agora), não precisava de nada que foi comprado por Filón, nem tampouco de tudo o que estivera exposto no mercado. Esse artigo pretende fazer um paralelo entre as necessidades de Sócrates e as nossas, guardadas as devidas proporções. Começamos fazendo uma pergunta clássica para essa ocasião: Nós precisamos de tudo o que adquirimos? Por acaso conseguimos usar em curto espaço de tempo tudo que temos? Vou começar essa discussão, citando um trecho de Erich Fromm em Ter ou Ser? : “A alternativa ter contra ser não fala imediatamente ao senso comum. Ao que tudo indica ter é uma função normal de nossa vida: a fim de viver nós devemos ter coisas. Além do mais, devemos ter coisas a fim de desfrutá-las. Numa cultura em que meta suprema é ter – e ter cada vez mais – e na qual se pode falar de alguém como “valendo um milhão de dólares”, como poderá haver alternativa entre ter e ser? Pelo contrário, tem-se a impressão de que a própria essência de ser é ter: de que se alguém nada tem, não é”. Devo neste ponto salientar que grandes mestres da vida fizeram da alternativa entre ter e ser a questão central de seus respectivos sistemas. Exemplificando: Buda ensina que, para chegarmos ao mais elevado estágio do desenvolvimento humano, não devemos ansiar pelas posses e Jesus ensina: “Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se, ou a causar dano a si mesmo (Lucas, 9:24-25). Mestre Eckhart, místico cristão do séc. XIII ensinava que ter nada e tornar-se aberto e vazio, e não colocar o eu no centro, é a condição para conseguir riqueza e robustez espiritual. Muito embora os exemplos acima estejam fora do alcance do homem comum, todos nos servem como exemplo para uma útil meditação. Via de regra, aqueles que muito têem, possuem uma natural paranóia da possibilidade da perda. Os que nada têem, normalmente invejam o detentor de bens e muitos até partem para a violência no afã de obtê-los à força. Devemos estar livres de nossas próprias coisas e de nossas ações. Isso não significa que não devemos ter posses ou que nada façamos; significa que não devemos estar apegados, atados, encadeados ao que possuímos, ao que temos, e nem mesmo a Deus, no dizer de Eckhart. Ainda me utilizando da filosofia de Eckhart, nosso alvo humano é nos livrarmos das peias do apego ao eu, egocentricidade, isto é, do modo ter de existência, a fim de chegarmos ao pleno ser. Consumir é uma forma de ter, e talvez a mais importante da atual sociedade abastada industrial. Consumir apresenta qualidades ambíguas: alivia ansiedade, porque o que se tem não pode ser tirado; mas exige que se consuma cada vez mais, porque o consumo anterior logo perde a sua característica de satisfazer. Os consumidores modernos podem identificar-se pela fórmula: eu sou = o que tenho e o que consumo. Podemos facilmente observar que as pessoas que vivem no modo exclusivamente ter não são plenamente felizes e vivem preocupadas em aumentar suas posses e com medo de perdê-las. E eu aqui pensando em como é bom e tranqüilo viver uma vida simples.

segunda-feira, 11 de março de 2013

HABEREMOS PAPA Prof. Msc, FRC, Pisc. Pedro Henriques Angueth de Araujo http://www.pedroangueth.blogspot.com Sim, daqui a pouco teremos um novo Papa. E daí? A dinastia papal existe no mundo desde o século IV, quando Constantino resolvera através de suas visões, oferecer aos cristãos a oportunidade de montar um grande empreendimento, oferecendo parte de sua riqueza para construção da maior instituição internacional de que temos conhecimento, iniciando assim, o processo de globalização, já naquela época. Foi também a época em que surgiu a Igreja Católica, cujo papado esteve primeiro localizado na cidade de Lion na França e depois transferido para Roma, daí o título Igreja Católica Romana. Desde aquela época a situação já não era tão católica assim. Bispos e Papas eram nomeados entre as elites sociais existentes, sem nenhuma preparação acadêmica, ou seja, politicamente. Ao longo dos anos e dos séculos criaram um Códice Teológico, conseguindo subordinar todo o conhecimento existente ao princípio teológico da verdade revelada (somente a eles). Foi um período de muita intriga e disputa de poder. A população era totalmente dependente do poder da Igreja e mesmo os Reis, só tomavam posse do trono após serem coroados pelo Papa em Roma. Várias são as figuras que mereciam ser analisadas neste período popularmente denominado de era das Trevas (Idade Média) pela ignorância mantida e estimulada entre as elites, com o fim de manter o “status quo” do poder e da reverência. No entanto, sabemos hoje, que subterraneamente, grandes correntes de conhecimento iluminado atravessaram esse mesmo período, sem que a igreja delas ao menos suspeitasse desse conhecimento e que foram capazes de transmitir saberes de uma antiguidade de sabedoria que começou a desaguar no período renascentista. Porém não é nosso intuito tratar disso agora. Desse período, vou citar apenas dois personagens algo interessantes. O primeiro deles foi Santo Agostinho que semeou duas pérolas: a primeira que ele creria em Deus porque era absurdo não crer e a segunda criando a teoria da graça, pela qual os homens são escolhidos para o seio de Deus pela vontade dele, sem que nenhum mérito poderia qualificar o pretendente, senão a própria e irrestrita vontade dele (Deus). Não importava ser honesto, moralmente irrepreensível ou éticamente perfeito, se Deus não o escolhesse o inferno o esperava. Interessante foi que o Protestantismo pós Lutero, através de Calvino aproveitou essa deixa para fincar esse produto teológico medieval que vigora até hoje. O segundo foi Tomás de Aquino (Doutor da Igreja) que em uma de suas famosas súmulas, se não me engano a Sumula aos Gentios disse: os Dogmas da Igreja foram criados para que os ignorantes e analfabetos pudessem crer sem compreender. No entanto, nos séculos seguintes foram permanecendo para toda a classe de fiéis, até hoje. Entretanto, outras barbaridades vieram assinalando os tempos, até a era moderna. Fica-se arrepiado e enojado quando se pode ler a obra relativamente recente da teóloga alemã Uta Ranke-Heinemann, intitulada Eunuco pelo Reino de Deus – mulheres, sexualidade e a igreja católica, (editora Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro, 1996), um pouco sumido das livrarias, por motivos óbvios. Por causa dessa obra, a que é considerada a maior teóloga do mundo, perdeu sua cátedra na Universidade de Heidelberg. Por isso o que transpirou para o público nos últimos anos como escândalos no seio da Igreja Católica, assustam porque tais fatos como pedofilia, sodomia, rombos milionários no Banco do Vaticano, ligações com a máfia, ameaça à vida do Papa, vinda do próprio interior da Igreja, como várias vezes veiculadas pela imprensa com a renúncia de Bento XVI, causam espécie. Até o tão escondido assassinato do Papa João Paulo I (que tentou acabar com o Banco do Vaticano) vivendo apenas um mês de seu pontificado. Para tanto consultar a obra: Em Nome de Deus de David Yallop, Editora Record, Rio de Janeiro, 3ª Edição, 1984. O que estamos vendo agora, não é senão um desaguar de coisas fétidas, que só apareceram por causa dos casos de pedofilia, largamente veiculados pela imprensa do mundo todo. O que me preocupa é que, se no âmbito da Igreja Católica consegue medrar tais disparates, o que é que estará acontecendo em outras Organizações e Instituições, quer governamentais ou privadas, espalhadas por todo o globo terrestre. Certamente só ficamos sabendo da ponta do iceberg, pois todo o resto fica submergido num silêncio sepulcral. E aí vem a clássica pergunta: o que fazer com o substrato religioso veiculado por tal mal afamada Igreja Católica? No meu entender não haveria necessidade de seus adeptos apostasiarem sua religião por causa de uma igreja corrupta. Mas haverá de se criar condições para a permanência dos fiéis em seu culto. De agora em diante, aprender a separar Igreja de Religião, seria um remédio saudável para aqueles que professam o cristianismo católico, e já sabendo também que as outras denominações religiosas não são tão santas assim.... Um ótimo exemplo vai abaixo sobre a fortuna material da igreja: 1 milhão de imóveis são de propriedade do Vaticano; 2 trilhões de euros é o valor dos imóveis localizados apenas na Itália: 3. Só em Roma, a Igreja tem um patrimônio avaliado em 9 bilhões de euros; 4. 20% do patrimônio de imóveis italianos pertence ao Vaticano; 5. 2 trilhões de euros é quanto valem os bens imóveis da Santa Sé ao redor do planeta; 6. Existem 125.000 hospitais e centros de assistência ligados à igreja em todo o mundo; 7. O total de escolas católicas nos cinco continentes é de 206.982, com 55. milhões de estudantes; 8. Países como a Alemanha, Áustria e alguns cantões suíços recolhem, por meio do estado, impostos específicos de cidadãos católicos, repassados às igrejas locais; 9. O maior financiador privado do Vaticano é a organização americana Cavaleiros de Colombo, fundada em 1882, que mantém uma seguradora cujos ativos estão na casa dos l6 bilhões de dólares; 10. Desde que foi criado, em 1981, o Fundo Vicarius Christi, da Cavaleiros de Colombo, amealhou 35 milhões de dólares apenas para as obras caritativas do Papa. _________________________ Fonte: Revista Veja – edição 2312 – ano 46 – nº 11 – 13 de março de 2013. Concluindo, é dinheiro demais e grande poder para administrá-lo, o que pode dar ensejo a qualquer tipo de loucura.